quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010





A menina brincava com um carretel de linha, quando a velha sentou-se a lado dela e começou a contar, assim, como quem fala sobre o tempo ou sobre o nada.
"Era uma vez um homem bom. Trabalhador, honesto. Cumpridor de seus deveres. Um dia ele quis casar, e o pai da pretendente deu a ele como dote um fio, o fio mais fino do mundo e disse a ele:

- Esse , é o amor que minha filha vai ter pelo senhor. Cuidado, porque quando ele se romper, o mundo acaba junto com ele.

O homem, que acreditava muito em amor, em rezas e histórias, pegou o fio e o enrolou cuidadosamente num carretel dourado. A mulher, todo dia, quando acordava, pegava carinhosamente o carretel e desenrolava todo o longo fio e pendurava ali todas as roupas que lavava. O fio era muito fino. Mas muito forte. Ali, pendurava-se casas, castelos, mundos inteiros. E o fino não se rompia. Um dia, o homem que não sabia que a mulher fazia isso, em segredo, e quando viu todas as suas roupas estendidas naquele varal de fina espessura, berrou enfurecido:

- Sua louca! Enrole já esse fio! É isso que você quer? Quer que o seu amor por mim acabe levando o meu mundo inteiro junto com ele?

E o fio, naquele instante se rompeu.
E tudo se foi com ele...
Roupas, casa, jardim, rua, esquina e até a mulher desapareceram como por encanto
A voz do homem também desapareceu.
E o homem ficou ali. Quieto. Se perguntando porque ele não foi junto com o fio."

A menina reclamou.

"Cruzes, que história triste, vó!"

A velha deu de ombros e foi ver a novela.




A roda que traz, é a mesma roda que leva




Um comentário:

  1. verdade, a roda da fortuna: instabilidade e o preságio dessa carta... , mas o mundo é muito mais amploque se observa, o certo é: acompanhe as mudanças da vida, hehehehehe
    escreva sempre meu amigo...
    pretendo fazer a capa do seu livro ( a arte)

    ResponderExcluir