quarta-feira, 31 de outubro de 2012

HALOWEEN



Totalmente a favor do Haloween.

E daí que é uma festa estrangeira?

Os santos são todos estrangeiros. O carnaval se originou na Europa dos ritos pagãos. Natal. Vamos matar o Papai Noel, as renas e colocar um índio velho puxado por antas? Não estou afim.

Que criem o dia do saci, da mula-sem-cabeça, do negrinho do pastoreiro, mas deixem o Haloween onde está e proíbam seus filhos de usar chifrinhos na escola.

Hoje estou usando os meus.

Hoje estou evocando o Mal. Ou seja, deixando que o políticamente correto, que o socialmente aceito , desapareçam por completo. ]Quero A VERDADE.

Porque se isso é o Mal, então estou fazendo as pazes com ele. Eu que o expulsei em nome das aparências , em nome do Bem Estar só do outro, quero olhar pra mim. E se olhar pra mim é o Mal então é isso o que estou fazendo.

Não quero conviver com quem eu não quero. Não quero ser obrigado a ser carinhoso com quem me ignora. Não quero falar bem das coisas que me incomodam, não quero celebrar o dia do Saci se é dia do Haloween.

Ensinem suas crianças a adorar seu País votando direito, votando na Comunidade, acreditando nas mudanças de baixo para cima. Não é matando as bruxas que vocês matam a influência americana na nossa cultura. Estou evocando o Mal. Parem de usar seus tênis Reebock, joguem fora o Mac. Comprem a matéria nacional. Não tenham carros importados. Comprem os nacionais. Façam fila para ver os filmes nacionais. Não desejem a Pâmela Anderson nem Brad Pitt, aqui temos os equivalentes.

Vão fazer isso? Já fazem? Porque fazem? Isso prova o quê?

O que eu ganho convivendo com quem só me mostra o lado hipócrita, insensível, utilitário?

O que eu provo tentando me relacionar com quem me ignora, com quem dispensa as minhas qualidades?

O que eu acrescento estando ao lado de quem só me provoca sentimentos ruins?

Será que ficar só, completamente só é tão ruim assim?

Nesse momento queria proferir algumas palavras mágicas e pulverizar "a doce convivência entre pessoas que não se suportam".

Porque as vilãs de novela são tão aplaudidas, mesmo transformando a vida da mocinha num inferno?

Porque elas evocam  a Verdade.

Porque aquela burra acreditando num cara que fez o diabo com a vilã na cama porque tomou um calmantezinho merece sofrer.

Porque o corno que nunca perguntou porque a vilã sempre sai às quatro horas da tarde e nunca disse o porquê, merece sofrer.

Porque a pobre mocinha que foi trancada no quarto escuro pelo vilão nefasto e teve medo de contar pro mocinho no dia seguinte com medo de "dar confusão" merece sofrer.

Quem tem medo da Verdade merece sofrer. Estou sendo mau? Que seja.

Hoje estou evocando a Verdade, doa a quem doer.

E sei, sim, eu sei, que quem mais vai sofrer:

SOU EU!


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ADÃO






Adán (Arrenpentimiento) - Alex Stevenson Díaz___Open Art____________@


Deus não gostou do que viu e como Adão adorava agradar a Deus, sentiu uma coisa estranha. Um vazio, uma vontade de voltar no tempo. Uma angústia. Um medo do futuro.

Eu me arrependo de um dia ter acreditado na minha carreira. Eu me arrependo de ter subido a rua Pacheco Leão com todas as minhas esperanças na mão.

Eu me arrependo de acreditar que o meu talento, apenas ele poderia me ajudar a ser respeitado na minha profissão.

Eu me arrependo de acreditar que uma pessoa, quando ama outra, é capaz de tudo por ela.

Eu me arrependo de ter amado além das medidas.

Eu me arrependo de não ter saído de casa quando as portas se abriram porque achava que o mundo fosse me engolir e destruir.

Eu me arrependo de não ter aprendido a dançar ballet.

Eu me arrependo de ter aberto a porta do carro e dito ao meu pai: Sai!

Eu me arrependo de não ter visitado minha irmã no dia que ela partiu.

Eu me arrependo de não ter pego os meus escritos e levado na "cara dura" a uma editora, e depois outra, depois outra.

Eu me arrependo de não ter estudado pra aquela prova do Banco do Brasil quando tinha dezesseis anos.

Eu me arrependo ...

Eu me arrependo...

Deus não gostou do que viu.

Eu não me arrependo de nada.





















segunda-feira, 22 de outubro de 2012

TEORIA ATÔMICA



Um avião bombardeiro saiu do Rio de Janeiro
Carregando um artefato secreto.
Ele vendeu tudo o que tinha, ficou nu no aeroporto ao se despedir da valiosa carga.
Ninguém reparou.
Ele era invisível. Enfim. Invisível.
O bombardeiro atravessou 520 km em 40 minutos. Velocidade impressionante.
40 minutos para acabar com a sua dor.
Destino final: Uma cidade inteira.
Alvo indeterminado.
O piloto não tinha a menor idéia do que estava fazendo.
Apertou o botão sem anestesia.
O homem nu contava os segundos para o extermínio da sua dor.
Em segundos. Poucos segundos. A poeira atômica varou toda a cidade.
Todos mortos.
E sua dor não acabou.
Nem a saudade.
Nem o amor.
E o homem ,sempre nu, andou pelado pelas ruas de Copacabana.

Clique nesse vídeo óbvio.

http://www.youtube.com/watch?v=lkpUsTA-zwo

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O PRIMEIRO DIA



Fino desceu as escadas, pela primeira vez sozinho e ajeitou a garrafinha de Toddy na merendeira.

O mundo estava ali, ao seu alcance. O mundo era seu mundo. Era seu o mundo.

Amava a escada, a calçada, a árvore. Amava a rua que atravessava, amava o sol, amava o calor. Amava aquela velhinha com dificuldade de atravessar a calçada.

Depois amava a esquina. E o mendigo sentado ali com olhar vago, amava a voz dele que pedia uns centavos. Amava o susto que levou e amava a corrida que deu para fugir do susto.

Fino amava o ônibus que se aproximava. Amava o motorista. Amava o bom dia que deu. Amava a trocadora mau-humorada que passou seu cartão na roleta. Amava a senhora que se ofereceu para segurar sua mochila pesada. Amava o sorriso que a menina alta deu para ele.

Amava a paisagem que passava célere na janela. Amava aquele calor gerado pelas pessoas que se acotovelavam  Amava aquele cheiro de suor. Amava.

Amava a escola que se aproximava e amava o senhor que se ofereceu para puxar a cordinha do ônibus.

Amava entrar pela primeira vez , sozinho, no colégio.

Fino era só amor. E aquele momento de amor foi inesquecível, único, indescritível.

Fino está amando em qualquer lugar, ele vai amar onde quer que vá.

O amor o faz continuar.

Fino ama. E está só.

"Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão" (Carlos Drummond de Andrade)

________

Clique e veja Paulo José no poema de Drummond que me inspirou esse post.

http://www.youtube.com/watch?v=5uP7Ctcxqhk&feature=related







terça-feira, 16 de outubro de 2012

NOS NÓS.



GNT. 22:30h. Sessão de Terapia. Entretenimento para poucos, já que a Tv a cabo brasileira é a mais cara do mundo.
Como se fôssemos suiços, dinamarqueses, monegascos.
Algumas vezes fico assistindo essa série e achando que eu mesmo estou tearapia tão íntimos e universais são os temas abordados.

Outro dia a terapeuta Dora, interpretada pela brilhante Selma Egrei disse uma frase incrível: "Quando a relação não está bem, a parede não cai aos poucos, ela simplesmente colapsa".
Colapsa.
Pode se dizer palavra melhor para descrever o fim de uma relação?
Colapso.

A surpreendente Maria Fernanda Cândido (nunca gostei dela em cena, agora adoro, santo diretor!), sem maquiagem, anti-seduzindo o terapeuta disse:
"A gente resolveu casar".
O terapeuta Theo, enigmaticamente interpretado pelo brilhante ZéCarlos Machado disse:
"Você nunca usou "nós"". "Você está me incluindo?".
E estava.

Quanto cuidado vou ter agora quando eu usar a palavra "nós".

Nós.

Há pouco tempo recebi felicitações: "1 ano de Nós".
E o pronome nunca foi tão contundente ao se parecer com um substantivo.
Que outra palavra posso usar além de Nós para descrever uma relação?

"Eu e ela(e)" pressupõe duas individualidades e separa o interlocutor da história fazendo-o mero observador.
"A gente" junta a todos, inclusive quem não está ouvindo, generaliza a ponto de banalizar o fato. "A gente vai casar" . Como todos o fazem.
"Nós". Além de incluir a terceira pessoa num triângulo íntimo, ainda pressupõe laço apertado. Um amarradio.

Como é bom ser um terapeuta e assistir de camarote a toda essa confusão, mesmo que se esteja envolvido nela. Até porque se o "nó" ficou complicado (o que acontece com ele), basta que se dê um basta na relação profissional. O problema é ser o sujeito. O Protagonista da história. Como é duro ser a Julia, que está num dilema entre a paixão pelo psicoterapeuta e a segurança na relação, o nó amarrado , com um homem que a ama incondicionalmente. Mas Theo, o terapeuta, também  é co-sujeito, na medida que ele (compreensilvelmente) se vê amarrado também nesse nó.

O salto no escuro ou a nau amarrada no(nó) porto?

Nesse último episódio ela se joga numa aventura ainda mais perigosa. Ao ver o colapso da sua relação terapêutica , quando o salto no escuro se revela suicida, ela se joga literalmente nos braços de um homicida em potencial. Um homem sem culpa. Um atirador de elite.

E olha...não ganho NADA para fazer o comercial dessa série.

Um blog é um recurso egoísta de falar de si mesmo (eita redundância!!!!) , mas adoro passear pelos outros pra falar de mim.

Uma amiga, uma escritora maravilhosa que fez breves aparições no meu coração, disse-me certa vez: "Fale em terceira pessoa, fale no ponto de vista do outro, de quem te olha, ou de quem olha o protagonista. As pessoas já estão de saco cheio dessa coisa auto centrada.".

Desde então nunca tive tanta vontade de falar de mim mesmo.

Adoro desfazer nós assim. Detesto estar amarrado a opiniões. Quero ser livre até para fazer o que todo mundo faz. Quero ser livre até para ser careta.

Por falar nisso, outro dia eu falo sobre relações abertas... onde aparentemente não há nós, mas....

Bem, deixa pra outro dia, isso aqui tá enorme.

O céu tá tão azul lá fora... SANTA PRIMAVERA!


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

EU QUERO VER TU ME CHAMAR DE AMENDOIM

Quando é que Deus olha pra gente e diz: Vou te dar uma chance?
Ou: Vou abrir os olhos pra que te vejam?
Existe esse momento?
É realmente Deus que faz isso?
Perguntando apenas. Não estou questionando a existência do Altíssimo.
Só queria saber se é Ele.

Vida real: A atriz Cacau Protásio que faz a "Zezé" , esse personagem hilário em Avenida Brasil, a novela chiclete que não sai das redes sociais, não sai da cabeça de milhões de pessoas todos os dias, apareceu na TV falando com uma apresentadora de TV, ao lado da outra empregada, Cláudia Missura,  a "Janaína", personagem que transita entre o dramático e o cômico,  que, quando foi chamada, comentou com a colega de elenco: "Deus não ia colocar a gente aqui à toa".

Explico: Cláudia Missura, assim como eu, é bem cética quanto ao papel das empregadas em Televisão. Disse que o papel das empregadas se resume a "Patroa-suco". As patroas na novela estão sempre tomando suco não sei do quê. E ela, Cláudia Missura quase recusou a novela, mas foi seduzida por um produtor de elenco  que disse que a história dela seria muito boa, que teria um filho, que precisavam de uma atriz que flertasse com o dramático etc, etc... Isso encheu os olhos dela. Além do que, recusar um convite da poderosa Rede Globo, como todos nós atores e atrizes sabemos, é praticamente dizer não ao "Chamado de Deus". Pecado Mortal.

Daí, Cacau Protásio sentenciou em resposta ao ceticismo de Cláudia : "Deus não nos colocou aqui à toa".

Talvez, inconscientemente, ela estivesse se referido ao deus  João Emanuel Carneiro, o autor da novela, mas ela estava falando na entrevista de Deus mesmo.

Volto à questão inicial:

É ele quem nos escala?

A seguir,  Ele , maldosamente, com um sorriso de escárnio no canto de boca fala:

"Sim, você vai passar 100 capítulos esperando num sofá (confortabilíssimo , com ar condicionado e instalações de primeiro mundo, junto com os atores de primeira, diga-se de passagem) a sagrada hora de dizer: "Senhora, o suco"?

Ou ele diz com os braços estendidos ao som de "Magnificat" : "Vai filha(o), essa é sua hora, você vai cantar:

"Eu quero ver tu me chamar de amendoim"?

É ele?

Ou foi o Deus-por-seis-meses João que disse: "Vou dar uma chance pra ela, ela é tão boa!".

Foi  talento dela?

Mas... e o talento dos outros centenas de atores e atrizes que falaram magistralmente :"Patroa, o suco" e jamais falaram outra coisa além disso?


Porque não conheço ator ou atriz que ouça a frase "não existe papel pequeno existem pequenos atores" sem pensar no seu "intimo-eu" : "Balela". Existem papéis pequenos sim. Claro. Quando diretores e produtores discutem entre eles, falam: "Será que eu chamo esse ator pra fazer um papel tão pequeno?". Ou "melhor chamar esse fulano para esse papel menor".

Bem vindo ao mundo dos papéis pequenos, atores e atrizes. Eles existem. Mas podem crescer. O fato é que Nina nasceu grande. Zezé nasceu pequena.

Quando nascemos, dizem a gente: Ser pequeno ou grande depende da sua força de vontade. Outros dizem: Se Deus quiser, você... ou Tudo é sorte ou Dê para a pessoa certa. Sim, cada lar tem sua orientação.

O fato é que Cacau Protásio e Claúdia Missura, que talvez tenham trilhado caminhos duros e difíceis causados pela difícil carreira de ator,hoje vivem, por causa de seu enorme talento (comprovados em seus trabalhos anteriores em teatro e cinema) , o seu momento:

 "EU QUERO VER TU ME CHAMAR DE AMENDOIM".

É como se Cacau e Cláudia hoje dissessem ao mundo:

"Vai! Me chama de amendoim agora!".

E eu quero ver alguém chamar essa duas que conseguiram ultrapassar o escárnio de todos os deuses para falar com voz tímida , quase sempre fora de quadro:

"Patroa, o suco".

Deus!!!!!!!!! Psiu, tá aí? Não deixa mais eles me chamarem de amendoim não tá?




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MULTIDÃO

                                           Desenho de caneta esferográfica em A4 de
                                          Eduardo Cambuí Figueiredo Junior                                                                  
  




- Oi, meu nome é Paulo
- Eu sou Luciana, muito prazer.

    Não demorou muito beijaram-se. Três dias para a primeira transa. Uma semana para a segunda. Um mês para a terceira.

- To gostando demais de você. Acho que...
- Eu te amo!
- Não faz essa cara de que é precipitado não. Te amo também.

    Antes da quarta transa, saíram os dois e os amigos dele. Ela se sentiu bem...desconfortável. Um fingiu simpatia perguntando o que ela gostava de fazer nos fins de semana e se tinha nascido no Rio , isso depois de Paulo ter cochichado qualquer coisa no ouvido dele cujo fim era... : fala qualquer coisa. O outro mal falou nada com ela, apenas uma frase curta e certeira acerca de uma ex-namorada de Paulo: - ele tem um péssimo gosto pra mulher.

    Desnecessário dizer que a transa foi qualquer coisa. Ela fingiu e "gozou" rapidamente, fingiu dentista no dia seguinte, não dormiram juntos. Ele desconfiou do jeito dela, sabia que os amigos eram ciumentos, possessivos e competitivos, mas não falou nada para não gerar um DR no sexto encontro. Ou seria o quarto? Não importa. Era cedo.

     Ela fez de tudo para não ver os "malas" de novo. Resolveu apresentar seus amigos para ele. Foram simpáticos, mas formais. Ele esperava mais. Pelo tanto que ela amargou a relação depois da saída com os amigos dele, ele imaginou que os amigos dela fossem fazer "festinha" o tempo todo.

 - Esquisitos eles...
 - Os MEUS amigos?
 - É. Não bebem... não fumam.... são tão...formais.
 - Eles são assim, mas são boa gente...
 - Sábado tem futebol, quer ir?
 - Aqueles dois vão?
 - Claro, o Tomate é centroavante e o Anão é...joga mal hahahaha!
 - Ele é muito pequeno mesmo, e feio... e burro também.
 - Nossa, quanta hostilidade.
 - Não... imagina... até gostei deles, bem, eles são ciumentos com o amigo...me trataram mal... mas com o tempo... né?
 - Claro, com o tempo você vai ver como são legais.

      Paulo jurou pra ele mesmo que jamais iria a uma festa com aquela gente. Talvez num velório eles fossem bem adequados. "Figuração de velório" . Riu sozinho dirigindo pra casa.

   - Adorei ele, amiga! Mas parece que ele não gostou da gente... tão calado...
   - Vocês é que ficaram caladas...e o Marcinho então? Fez umas piadas tão sem graça...
   - Ele não tem nada a ver com a gente, amiga... se veste mal... aquela capanga... 
   - Pra guardar celular, óculos, carteira... a capanga é de Buenos Aires, chique!
   - Capanga é capanga. Pode parar, amiga, a gente foi gentil com ele... rimos muito... ele até deu em cima da... mas a conta foi cara né?
    - Como é que é?
   - Esquece, foi uma coisa que a gente comentou mas logo a gente descartou. A Fernanda é que é super derretida, acho que ele interpretou mal e meio que foi simpático demais com ela, mas é o jeito dele, ele é mais expansivo que a gente...
     - A Fernanda? Ele jamais daria em cima de uma mulher que usa lente colorida.
     - Lu, ele usa capanga.

     - A Lu vai com a gente no cinema, legal né?
     - Mas ela gosta de filme de ação?
     - Se não gosta vai passar a gostar , ela tem que gostar dos meus amigos, cara...
     - Ato falho, Paulão! Perguntei se ela gostava de filme de ação. Ela não gostou da gente né?
     - Porra, vocês mal falaram com ela, coitada. Excluíram ela de todos os assuntos, sabe como é mulher, quer ser paparicada.
       - Por isso que eu to solteiro, mermão. Não quero mulher no meu pé. E o Tomate também não foi com acara dela não. Você sabe que quando o Tomate não vai com a cara... Mas tudo bem, amigo, a gente torce aqui pela sua felicidade... Você é nosso!
        - Porra, irmãozão, tamo junto.
        - Mas olha, eu ia chamar a Vanessa, aquela louraça que você era a fim. Ela soube que você tá namorando. Ficou mais a fim ainda.
        - Nossa. Ela a fim de mim? Emocionei! Qual é a operadora de celular dela?
        - Claro.
        - Não tenho chip da Claro, deixa pra próxima. Não leva ela não, pode me criar uma situação difícil.
        - Claro, irmão, não vai faltar oportunidade.
        - Já é.

         Viajaram para uma praia quase deserta no Nordeste. Passaram duas semanas em idílico romance. Basicamente os dois. Fizeram um pacto. Depois que Luciana recebeu um telefonema meia noite do Marcinho chamando-a para uma festinha massa, um clima ficou no ar. Piorou quando ela viu "sem querer" uma mensagem do Anão, que de porre, escreveu: "Larga essa mala mal humorada e volta pros seus irmãos". Daí veio a idéia quase simultânea do pacto: Desligarem os celulares enquanto lá estivessem.

              E a harmonia e felicidade reinaram naquela casinha a beira-mar.

             O Carnaval foi em Salvador com os amigos dele. Briga por causa de uma ex do Tomate que resolveu se interessar pelo Anão. Paulão se meteu na história acobertando Anão e a pretendente. Lu não gostou, chamou Paulão de alcoviteiro. Duvidou da fidelidade dele.
            A semana santa, em Lumiar, como combinado, foi com os amigos dela. Ele foi simpático e feliz. Evitou a Fernanda que claramente dava em cima dele. Não levou a capanga, comprou uma incômoda mochila. Briga porque odiava acordar cedo. Briga por causa de gente que não fuma e resolve infernizar quem fuma. Ele mesmo odiava cigarro, mas odiava mais ainda a patrulha. Briga porque odiava música eletrônica e o Marcinho, dono do carro onde foram queria mostrar todos os sets pra Lu. Ironizou disse que era música de quem não entendia nada de música. Climão.
               Nas férias de Julho foram pra Caracas visitar a mãe dele. Não podiam dormir juntos. Desrespeito. Ela acatou , não sem uma certa amargura . Odiou a sogra.
               Feriadão do Sete de Setembro. Ele deu um Notebook pra ela. Rosinha. Macintosh.  Do jeito que ela queria .
              Marcinho e as amigas sumiram. Ninguém ligava mais pra ela, fazia uns dois meses.
              Anão e Tomate desapareceram também.Tomate começou a namorar. Anão entrou em depressão.
              Paulão dava desculpas para não sair com ela.

                - Vou à casa do Anão.
                - Anão tá mal hoje, Lu, tenho que ir lá.
                - Hoje não dá amor, preciso ir na casa do Anão.

                - Chamei a Flavinha pra ir com a gente ao cinema, tanto tempo que não vejo a...
                - Não pô, cinema é uma coisa só de dois....
                - Outro dia você levou o Anão.
                - Pô, o Anão tava mal.
                - A Flavinha vai.

                No aniversário dele, todas as ex namoradas dele resolveram ir. Ele não ria, ele mal mexia a cabeça e mal com conseguia tocá-la. Anão fez questão de levar o bolo , estava feliz da vida, saindo com uma portuguesa que resolveu apresentar a todos. Claro, ela tinha sido Miss Setúbal. A inveja que viu nos olhos de Paulo não foi impressão.

                No aniversário dela não foi quase ninguém. Ela o culpou, mas não disse nada a ele.

                 O Natal ele resolveu passar com a mãe em Caracas.
                 Combinaram de passar o ano novo juntos, mas ele "perdeu o avião".

                 Foi o melhor ano novo da vida dela junto com as amigas e o Marcinho, que agora era DJ.
                 Ele nunca abençoou tanto o fato de ter esquecido de colocar o despertador. Perdeu a hora. Ato falho. Passou num restaurante italiano. Bebeu muito. Fumou muito. Fodeu muito.

                Ainda se falaram algum tempo pelo Facebook, inbox.
                Hoje, ela não responde mais. E ele acha bom. Não queria ele tomar a iniciativa de não responder.

                Eles e seus amigos foram felizes para sempre.





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SEXO





- Só os chatos, tristes e infelizes deveriam morrer.

- Quando cheguei na praia não tinha mais sol. Não tem mais sol. Ó.

- Gostou da frase? Estou postando no Facebook.

- Porque o sotaque americano quando você falou Facebook?

- Fico sexy quando eu falo assim. Reparei na reação das pessoas.

- Fica.

- Fico?

- Muito. Fala de novo.

- Facebook. Westinghouse.

- Nossa, nessa você quase me fez gozar.

- Tinha que estragar tudo.

- O que eu fiz?

- Sexo. Só pensa nisso.

- Mas não foi você que disse que ficava sexy?

- Falo de beleza, charme... não apela.

- Você apelou primeiro.

- EDUARDO!

...

- Sujou tudo de areia... sai daí!


E eles se amaram loucamente no tapete da Tok&Stok.




ANGÚSTIA




- Amor, você preferiria ser professor de Física ou Matemática?

- Eu sou professor de...

- SE você não tivesse sido demitido, SE você gostasse do contato com o público, SE você fosse das exatas, você preferiria o quê? Formulei bem agora, ô enjoado.

- Já passei o pano na casa. Acho que vou caminhar na praia.

- Dá pra responder?

- É tão importante assim?

- Dá pra responder amor?

- Você não me ama.

- Você e a sua melancolia.

- Não esqueceu isso daí?

- Você É a melancolia.

- Quero ver o sol.

- ... a depressão...

- Vai que me interesso por alguém solar.

- ... a angústia...

- Física.

- Porque?

- Ainda tenho que dizer por que?

- Lógico.

- Você me ama?

- Vai andar na praia, ver gente. Quem sabe você não se interessa por alguém?

- Porque é mais dinâmico. Matemática parece sem sentido. Um amontoado de números, letras, claro que servem pra alguma coisa, inclusive pra Física, mas na Física temos exemplos práticos,existem até filmes como aquele do Físico esquizofrênico. Física, com certeza.

Eles se olham.

Nada mais a dizer.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MELANCOLIA






- É isso!!! Você tá melancólico!

- O quê, Maria?

- Acabei de ler. Digitei no google: "incapazes de amar", "falta de prazer", "hábitos chatos". Coloquei tudo lá e saiu: Melancolia.

- Wikipsiquiatra. E que remédio eu devo tomar?

- Sol. Vai pegar um solzinho.

- Tá me tratando igual a velho. Não sou velho, fiz trinta e...

- Tá velho sim. Velho, desempregado e pálido. Vai pegar sol.

- Você não me quer mais?

- Eu digitei e deu: melancolia. Vai pegar sol. Vai.

- Não sente mais tesão em mim?

- É considerada uma doença, tem remédio, não sei se a mesma coisa da depressão, mas quando eu digito aqui... m-e-l-a-n-c-o-l-i-a, aparece um montão de depressão na lista. Deve ser depressão.

- Não te interesso. É isso?

- Que dia lindo. E você aqui. Vai andar, criatura!

- Não presto mais pra nada mesmo?

- Escola de Surf.

- O quê?

- Meu pai quando se aposentou entrou pra uma escolinha de surf.

- E você foi a primeira a cair no pé dele.

- Mas ele não era melancólico, era encostado. Vai surfar!

- Eu não aposentei,desempreguei.

- Uma mulher, assim, igual a dessa revista ó.

- Você é melhor que ela.

- Viu?Melancolia. Se acha que essa gata é mais bonita que eu.

- Mais bonita não. Melhor.

- Não vê beleza no que está a dois passos dele. Não vê beleza em nada. Melancolia.

- Cismou.

- Adorei a t-shirt dela.

- Eu vou lá então, andar, pegar um sol.

- Mas antes, passa um pano na casa ô folgado!





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