segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CORAGEM



Agora e preciso coragem, muita coragem.
Coragem de amar o passado, e fazê-lo combustivel para o presente.
E de fazer o futuro só um pretexto para um presente incrível.
Olhar pra frente, sempre.
E só deixar vivos os que merecem estar vivos , para que o presente não seja recheado de zumbis.
Receita infalível para acabar com os zumbis:
Exterminar o rancor.
E assim, vou adiante, adiante , continuar a escrever o meu livro.
Porque o mais importante é que EU ME MEREÇO.
Sou jóia rara e única.
Aplausos.
Casa cheia.
Obrigado!
FELIZ 2013!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

VOLÚPIA

Unidunitê.

Escolhi o pecado de hoje:

VOLÚPIA.

Vou me deleitar no banho , sentindo a água escorrendo voluptuosamente pelo meu corpo e o sabonete deslizando voluptuosamente em cada partezinha escondida. Depois vou me secar voluptuosamente , as fibras da toalha sentidas e bem sentidas quase esfolando atrás do joelho, por exemplo .

Sinal vermelho. Se esfolo estou me punindo. Muito cristão. A volúpia vem e me esfolo. NÃO.

Mudo de toalha e procuro a mais macia. Daquelas que custaram 189,90. Que delícia imaginar o meu toque no dinheiro. Dinheiro ganho voluptuosamente, fazendo o que gosto. Cada centavo entrando com volúpia na minha conta. 100, 200, 300, 3.000, 30.000, 300.000. Santíssima Trindade. NÃO.

Mudo a conta para 4.000, 40.000,400.000. Quatro é um número voluptuoso. Sensual. Quatro numa noite só. Quatro amores, quatro noites consecutivas de prazeres e danças. Quatrocentos mil . E o que você me diria de quatro milhões?

Começo a arrumar a mala voluptuosamente , o barulho do ziper me lembrando coisas, todos os momentos em que fechei a mala e partia pro desconhecido. Nossa, que delícia, que prazer. O que vai acontecer? Só Deus sabe. Deus? E se eu me perder no caminho? A culpa é sua. NÃO.

Bebo água. Água deliciosa e geladinha. Nossa, que delícia. A água escorrendo suave pela garganta. Preenchido, totalmente preenchido pelo poder de me reidratar. Nossa. Essa foi fundo. Tem um bombom na cestinha. Eles deixam essa tentação para os hóspedes. Como? Não como? Vou engordar? NÃO.

Dane-se. O prazer de mastigar o crocante do bombom, o chocolate, a massa de cacau lá dentro. Que jóia. Que manjar!!! Nham!!!!! Bom, muito bom.

Carrego a mala, um pouco pesada, mas sinto que meus músculos fortes aguentam-na com imenso e indescritível prazer. Saúde, saúde! Bom! Sou forte. Sou muito forte! Sou fortíssimo!!!! Sensação inenarrável.

Abro a porta, coloco a mala no carro, e começo a dirigir vo-lu-ptuo-sa-men-te. Acelero o máximo que posso e abro as janelas e passo todos os sinais fechados. Cuidado! Seu irresponsável! Pode matar alguém! Louco! Egoísta! Melhor NÃO.

Dirijo mais sensualizadamente então, deixando as pessoas passar, sorrindo e tocando a buzina duas vezes em cortesia. Paro para as velhinhas atravessarem. As crianças sorriem e dão tchauzinho. Eu retribuo. Como é prazeroso ser legal. Ser bacana é uma delícia. O couro da minha poltrona, o ar condicionado nível três, o interior do carro geladinho. Hmmmm... nossa.

Pego a estrada. A estrada é tudo que tenho agora. Partidas e chegadas. Volúpia. Prazer de chegar. Prazer de partir. Prazer de estar. Prazer, prazer,prazer.....

Prazer...aprazível sensação de prazer.

Prazer...

Prazer...

"Você tem meia hora , pra mudar a minha vida, vem vambora..." (Calcanhoto- Vambora)






segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DESAVISADO





Nas primeiras horas da manhã (pra mim, é claro) sempre acordo distraído, desarmado. desavisado. Ninguém me avisa nessas horas que preciso focar em mim, que o passado já passou e que agora é hora de olhar pra frente , nessas primeiras horas. Não acordo com um CD de Auto-Ajuda na cabeça. E é nessas horas que acabo pensando nas saudades (todas elas) , na cama vazia, no silêncio, e na necessidade que tudo isso seja urgentemente preenchido. Não penso nessas horas "é preciso dar tempo ao tempo". "Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém".
Acordo com a necessidade de ligar pra minha irmã, por exemplo, incomodando-a na escola. Nesse momento, por exemplo ela estaria ansiando pelas férias e me atenderia cansada e esbaforida, rindo da minha "ousadia" de ligar pra ela no trabalho.
Acordo com a ânsia de receber um torpedo ou uma ligação qualquer falando: "bom dia, amor".
Acordo com a nostalgia de ter 16 anos , estar de férias , colocar a sunga amarela e ir pegar carona na subida do rebouças pra praia.
Acordo com um telefonema do meu pai, depois que eu sonhava com ele a noite toda. Sempre que sonhava com o velho, ele me ligava.
E há quantos anos não sonho com o velho.
Acordo desavisado. Sentindo cheiros, sentindo amores, apertos.
É hora de ir pro banho.
E avisar ao corpo que é daqui pra frente.
Sempre adiante.
Hora de construir novos passados, presentes intensos, futuros emocionantes.
Tá na hora de ir.