
Eu estou aqui quieto, olhando o computador e querendo muito escrever sobre vocês.
Você está tão longe, tão longe que não consigo mais nem sentir o cheiro, sua voz vem fininha, mas está longe, muito longe.
E você está muito mais perto. No intervalo de uma noite de sono. Nos meus sonhos.
Lembro dos seus olhos quando a nossa primeira noite aconteceu.
E foi ontem.
Está perto, muito perto.
Você está perto nas minhas lembranças, nas fotos que temos, no seu sorriso de criança e de adulto que nunca saiu da crisálida.
Você estava lá, levando todos nós para dentro dela.
Quando você ia nascer, você se foi.
E você se foi num ônibus.
Lia. Pensava no seu futuro.
Onde eu estava num capítulo, um capítulo especial, admito, vejo claramente o seu amor.
Mas eu sei que se dobrar a esquina você nao estará lá.
Tenho que dormir e sonhar para encontrar vocês.
Você quer que o nosso amor seja leve, seja divertido, não tenha sofrimento.
Você quer que tudo seja azul.
E quem não quer?
Você se foi numa quarta-feira de cinzas e em cinzas a colocamos no mar.
Você agora é mar.
E você agora é estrada.
Você agora é o virtual.
Você é um sorriso lindo e terno, que me ama, mas que morre de pena de mim.
Você é meu anjo bom, que não deixa eu cair. Você me puxa de volta.
Foi no dia que você começou a ir que minha vida inteira começou a mudar.
E você abriu as portas pra você chegar.
Os dois estão agora aqui no meu coração.
Muito perto e muito longe.
Muito azuis, rosas e cinzentos.
Vocês se confundem, estão vivos e estão mortos.
Vocês são apenas imagem.
Vocês são a presença aqui dentro do peito.
Abro a camisa de botão, um a um e apalpo meu peito procurando.
E não encontro ninguém.
E mais uma vez a imagem do chapéu que flutua no rio para longe, levando para longe meus primeiros amores, mais uma vez essa imagem me perturba.
Porque você é o primeiro, o ultimo e todos.
Você é minha irmã, minha filha, minha mãe.
A mulher que eu poderia ter tido. A mulher que eu poderia ter sido.
Vocês são o que poderia.
Onde estão vocês?












