terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Onde???


Eu estou aqui quieto, olhando o computador e querendo muito escrever sobre vocês.
Você está tão longe, tão longe que não consigo mais nem sentir o cheiro, sua voz vem fininha, mas está longe, muito longe.
E você está muito mais perto. No intervalo de uma noite de sono. Nos meus sonhos.
Lembro dos seus olhos quando a nossa primeira noite aconteceu.
E foi ontem.
Está perto, muito perto.
Você está perto nas minhas lembranças, nas fotos que temos, no seu sorriso de criança e de adulto que nunca saiu da crisálida.
Você estava lá, levando todos nós para dentro dela.
Quando você ia nascer, você se foi.
E você se foi num ônibus.
Lia. Pensava no seu futuro.
Onde eu estava num capítulo, um capítulo especial, admito, vejo claramente o seu amor.
Mas eu sei que se dobrar a esquina você nao estará lá.
Tenho que dormir e sonhar para encontrar vocês.
Você quer que o nosso amor seja leve, seja divertido, não tenha sofrimento.
Você quer que tudo seja azul.
E quem não quer?
Você se foi numa quarta-feira de cinzas e em cinzas a colocamos no mar.
Você agora é mar.
E você agora é estrada.
Você agora é o virtual.
Você é um sorriso lindo e terno, que me ama, mas que morre de pena de mim.
Você é meu anjo bom, que não deixa eu cair. Você me puxa de volta.
Foi no dia que você começou a ir que minha vida inteira começou a mudar.
E você abriu as portas pra você chegar.
Os dois estão agora aqui no meu coração.
Muito perto e muito longe.
Muito azuis, rosas e cinzentos.
Vocês se confundem, estão vivos e estão mortos.
Vocês são apenas imagem.
Vocês são a presença aqui dentro do peito.
Abro a camisa de botão, um a um e apalpo meu peito procurando.
E não encontro ninguém.
E mais uma vez a imagem do chapéu que flutua no rio para longe, levando para longe meus primeiros amores, mais uma vez essa imagem me perturba.
Porque você é o primeiro, o ultimo e todos.
Você é minha irmã, minha filha, minha mãe.
A mulher que eu poderia ter tido. A mulher que eu poderia ter sido.
Vocês são o que poderia.
Onde estão vocês?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pamonha


Ele se sentou no cinema.
Um filme de amor.
Estranho para quem estava se despedindo:
"Adeus ao primeiro amor".
Mãos dadas, depois das trevas, resolveram apaziguar os corações e calmamente esperar o que o filme diria aos ânimos enfraquecidos pelo adeus.
Uma garota se arrastava pela tela como uma lagartixa apática: "Sou melancólica" , ela justificava.
Ela transformou o ser amado na unica razão de viver.
E passou anos assim.
Até que descobriu um homem mais velho que a valorizava pelo que ela era.
Só que ela ainda não era.
Continuava a mesma lagartixa inexpressiva.
O antigo amor, o primeiro, reapareceu e a levou para cama.
Mais uma vez ele demonstrou que não conseguia amar mais ninguém alem de si mesmo.
E ela não conseguia sacanear ninguém além dela mesma.
O filme acabou, as mãos se soltaram, odiaram o filme.
Ele teimou em não se identificar com aquela palerma do filme.
Mas, depois, deitado já em casa, olhando para o teto, reconheceu nele o mesmo olhar, a mesma inexpressão, o mesmo vazio.
Eram gêmeos de sentimento.
Amavam demais o outro.
Não sentiam absolutamente nada por si mesmos.
Isso não fez bem a ele.
Até porque o objeto do seu amor, o dele , e o dela, são jovens, bonitos, com milhares de planos, verdadeiros, leais com eles mesmos. Portanto, protagonistas belos e interessantes de suas vidas.
Ela e ele eram tão significativos quanto as lagartixas, que se esgueiram pelas sancas atrás das moscas e dos restos.
Procurou uma solução.
Não achou nenhuma.
O chapéu navegou pelo rio até a foz, onde se misturaria com outras águas, outro lugar, navegou até o mesmo lugar, diferente.
Ele navegaria talvez até um outro rio, um outro mar.
Mas não deixaria de ser o mesmo, diferente.
A solução seria se esgueirar pelas sancas, a espera de alguma migalha, de algum bichinho de luz que o fizesse sorrir. Como em algum momento do filme aquela pamonha sorriu.
E não me disse nada.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aqui na minha cabeça tem você.




Porque?
Se a gente sabe que é um lugar tão lindo e sem defeitos, chorar tanto?
Porque?
Ao ver tua foto sorrindo e tão feliz, porque sentir tanta tristeza?
Porque se as lembranças que eu tenho suas são as mais felizes?
Nossas brincadeiras.
Nossos sonhos.
Nossos planos.
Fui um menininho feliz, porque você estava lá pra brincar comigo.
"Grandes posses, médias posses, pequenas posses".
Só a gente entende essa senha. Essa brincadeira.
E quando o banheiro virava zoológico e eu jurava que ali morava um pavão por causa da sua imaginação?
Não tenho nenhuma foto do seu vestido de festa junina rosa que virou seu vestido de brincar "lá embaixo".
Não tenho nenhuma foto quando eu era o Bosley e você a Kelly das panteras, a pantera que você mais amava
Tá tudo aqui dentro da minha cabeça.
E agora você mora aqui.
Na minha memória , no meu sonho, na minha esperança de te reencontrar.
Então é por isso.
É por isso então que tenho que fazer do meu pensamento um lugar lindo pra você morar.
Que os meus sonhos sejam tão lindos que é só no lindo que você merece habitar.
E que as memórias sejam as mais perfeitas.
Os últimos meses foram um pesadelo ruim.
Não vale a pena lembrar.
Só vale lembrar do seu olhar pra mim.
Te amo.
Fica bem aí, aqui na minha cabecinha doida.
Dorme em paz.
Vou parar de chorar....

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Oito e meia



Por do sol em Ipanema.
Por volta de quase no limiar das oito horas da tarde (sim, porque é sempre tarde em Ipanema no Verão)
Ele senta-se ao lado dela.
Um terceiro olhando para ela.
O primeiro nada quer com a segunda.
Laços fortes familiares os forçam a ser apenas primos.
O terceiro pensa em se apaixonar.
A segunda pensa em se enamorar.
O primeiro pensa em se conhecer.
O primeiro pensa que o por do sol vai levar a tristeza pra bem longe. Que a tristeza é uma dama com guarda sol antigo que entra num barquinho solitário e que se vai ao sentir os nem tão inclementes raios do sol que se põe. Ele acredita nisso. Ele acredita que tudo vai mudar às oito e trinta.
O terceiro não sabe o que acontece entre os dois primeiros. Acha que o por do sol é uma boa desculpa para se apaixonar tecer uma agradável e descontraída prosa. Mas inventa um vilão: O primeiro. Ele não a merece. Ele está de costas para ela. Ele não a quer. Mas se ele a deixasse, tudo iria mudar às oito e trinta.
A segunda sonha com dias melhores, onde vai se olhar no espelho e ver a mulher mais realizada do universo. Ela sonha com serenidade. Ela sonha que o por-do-sol é um navio que aporta depois de uma longa viagem. Tudo mudaria exatamente às oito e trinta.
Às oito e trinta a mulher de guarda-sol, o navio e o romance verão o mesmo pássaro.
Um pássaro tímido . Com canto doce e melancólico. Não contínuo. Com acordes surpreendentes.
Um pássaro rouco.
Aquele pássaro que voaria alto, tão alto perto do sol que todos os julgariam "solar".
Mas é o pássaro da noite.
O pássaro dor.
A dor do desencanto, a dor do reconhecimento a dor da verdade. A dor da dúvida.
Ele está lá, na mesa de cabeceira dos três. Entre o despertador e o livro que os três jamais terminariam. Os três que andam pela mesma estrada. Os três que não se conhecem.
Os três que são a mesma pessoa.
Os três.
O terceiro se levanta e desaparece. Parece que persegue uma loura com um pequeno no colo. Ele sonha com a mãe solteira e seu filho a espera de um protetor.
A segunda deixa cair uma lágrima por detrás de seus imensos olhos escuros : "Sem eles não consigo ver o por-do-sol".
O primeiro olha insistentemente o seu telefone móvel a espera de uma resposta.
Que jamais viria.
A resposta estava no canto do pássaro-dor.
Ele gorjeia rouco dizendo: "Ninguém se cura de si mesmo"
Ninguém se cura.
Ninguém de si
Ninguém mesmo
Cura de si
Cura mesmo
Si mesmo.
Ninguém
Se...
Se...
Se...
Simone.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Costa Verde


"Vontade de sumir no véu da madrugada...pra nao perturbar o sono do sonho, pra nao espantar a bruma, pra nao deixar que a realidade entre como uma murrada na minha quimera. Tenho sede, tenho sono. Quisera que voce nao tivesse existido e que isso fôsse realmente um sonho que tive para que eu possa sempre te ter quando eu cerrar os olhos e acordar pra minha fictícia realidade." (André (EU) Pimentel 04:20, 05-12-2011)