segunda-feira, 24 de setembro de 2012
FIO
Tenho um fio solto. Um fio de linha.
Li pela ultima vez teu email e apaguei todos os rastros de pensamento.
Ele levantou e foi tomar um café. Deitou-se de bruços na cama, de cueca, e começou a sentir que a presença estava ali,a oito centímetros do umbigo.
Li pela ultima vez teu email e me deitei. Não sei porque mas, mais uma vez , sonhei com você.
Acordou mais uma vez só. Falando. Prolixo como sempre. As paredes tentavam falar mas ele não deixava. O teto olhava , inquieto. As janelas sorriam: Bom dia!
- Bom dia o caralho , seu Luís , cadê a chave do meu carro que o senhor esqueceu de lavar de novo?
Resgatei da lixeira o email que li ontem pela ultima vez e jurei para mim mesmo que seria a ultima vez que leria seu email pela ultima vez.
Tomou banho e lembrou do toque quando a espuma espessa do shampoo caríssimo passou pelas suas coxas, seus joelhos, sua bunda, seu pau. Sentiu a respiração no bafo do chuveiro fervendo.
Apaguei da lixeira o seu email que li pela ultima vez, Cantou baixinho uma música que jurava ser deles, nunca mais vou ler. Nunca mais vou te ler. Nunca mais quero saber. E se eu souber que seja da tua morte. Chorou feito criança diante daquele pensamento, não imaginava seu mundo vazio sem aquela pessoa.
- Vou rezar pra isso não acontecer, meu Deus e se acontece, meu Deus e se eu souber, não quero saber eu prefiro morrer antes, detesto falar de morte dos outros só da minha amém aleluia não quero não te quero estou arrependido quero morrer quero te destruir queroquetodososseusamigosmorramevocêprecisedemimenãopenseemmaisninguém.
Tenho um fio solto. Uma palavra solta. Um verbo perdido.
Uma história morta.
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