segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CORAGEM



Agora e preciso coragem, muita coragem.
Coragem de amar o passado, e fazê-lo combustivel para o presente.
E de fazer o futuro só um pretexto para um presente incrível.
Olhar pra frente, sempre.
E só deixar vivos os que merecem estar vivos , para que o presente não seja recheado de zumbis.
Receita infalível para acabar com os zumbis:
Exterminar o rancor.
E assim, vou adiante, adiante , continuar a escrever o meu livro.
Porque o mais importante é que EU ME MEREÇO.
Sou jóia rara e única.
Aplausos.
Casa cheia.
Obrigado!
FELIZ 2013!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

VOLÚPIA

Unidunitê.

Escolhi o pecado de hoje:

VOLÚPIA.

Vou me deleitar no banho , sentindo a água escorrendo voluptuosamente pelo meu corpo e o sabonete deslizando voluptuosamente em cada partezinha escondida. Depois vou me secar voluptuosamente , as fibras da toalha sentidas e bem sentidas quase esfolando atrás do joelho, por exemplo .

Sinal vermelho. Se esfolo estou me punindo. Muito cristão. A volúpia vem e me esfolo. NÃO.

Mudo de toalha e procuro a mais macia. Daquelas que custaram 189,90. Que delícia imaginar o meu toque no dinheiro. Dinheiro ganho voluptuosamente, fazendo o que gosto. Cada centavo entrando com volúpia na minha conta. 100, 200, 300, 3.000, 30.000, 300.000. Santíssima Trindade. NÃO.

Mudo a conta para 4.000, 40.000,400.000. Quatro é um número voluptuoso. Sensual. Quatro numa noite só. Quatro amores, quatro noites consecutivas de prazeres e danças. Quatrocentos mil . E o que você me diria de quatro milhões?

Começo a arrumar a mala voluptuosamente , o barulho do ziper me lembrando coisas, todos os momentos em que fechei a mala e partia pro desconhecido. Nossa, que delícia, que prazer. O que vai acontecer? Só Deus sabe. Deus? E se eu me perder no caminho? A culpa é sua. NÃO.

Bebo água. Água deliciosa e geladinha. Nossa, que delícia. A água escorrendo suave pela garganta. Preenchido, totalmente preenchido pelo poder de me reidratar. Nossa. Essa foi fundo. Tem um bombom na cestinha. Eles deixam essa tentação para os hóspedes. Como? Não como? Vou engordar? NÃO.

Dane-se. O prazer de mastigar o crocante do bombom, o chocolate, a massa de cacau lá dentro. Que jóia. Que manjar!!! Nham!!!!! Bom, muito bom.

Carrego a mala, um pouco pesada, mas sinto que meus músculos fortes aguentam-na com imenso e indescritível prazer. Saúde, saúde! Bom! Sou forte. Sou muito forte! Sou fortíssimo!!!! Sensação inenarrável.

Abro a porta, coloco a mala no carro, e começo a dirigir vo-lu-ptuo-sa-men-te. Acelero o máximo que posso e abro as janelas e passo todos os sinais fechados. Cuidado! Seu irresponsável! Pode matar alguém! Louco! Egoísta! Melhor NÃO.

Dirijo mais sensualizadamente então, deixando as pessoas passar, sorrindo e tocando a buzina duas vezes em cortesia. Paro para as velhinhas atravessarem. As crianças sorriem e dão tchauzinho. Eu retribuo. Como é prazeroso ser legal. Ser bacana é uma delícia. O couro da minha poltrona, o ar condicionado nível três, o interior do carro geladinho. Hmmmm... nossa.

Pego a estrada. A estrada é tudo que tenho agora. Partidas e chegadas. Volúpia. Prazer de chegar. Prazer de partir. Prazer de estar. Prazer, prazer,prazer.....

Prazer...aprazível sensação de prazer.

Prazer...

Prazer...

"Você tem meia hora , pra mudar a minha vida, vem vambora..." (Calcanhoto- Vambora)






segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DESAVISADO





Nas primeiras horas da manhã (pra mim, é claro) sempre acordo distraído, desarmado. desavisado. Ninguém me avisa nessas horas que preciso focar em mim, que o passado já passou e que agora é hora de olhar pra frente , nessas primeiras horas. Não acordo com um CD de Auto-Ajuda na cabeça. E é nessas horas que acabo pensando nas saudades (todas elas) , na cama vazia, no silêncio, e na necessidade que tudo isso seja urgentemente preenchido. Não penso nessas horas "é preciso dar tempo ao tempo". "Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém".
Acordo com a necessidade de ligar pra minha irmã, por exemplo, incomodando-a na escola. Nesse momento, por exemplo ela estaria ansiando pelas férias e me atenderia cansada e esbaforida, rindo da minha "ousadia" de ligar pra ela no trabalho.
Acordo com a ânsia de receber um torpedo ou uma ligação qualquer falando: "bom dia, amor".
Acordo com a nostalgia de ter 16 anos , estar de férias , colocar a sunga amarela e ir pegar carona na subida do rebouças pra praia.
Acordo com um telefonema do meu pai, depois que eu sonhava com ele a noite toda. Sempre que sonhava com o velho, ele me ligava.
E há quantos anos não sonho com o velho.
Acordo desavisado. Sentindo cheiros, sentindo amores, apertos.
É hora de ir pro banho.
E avisar ao corpo que é daqui pra frente.
Sempre adiante.
Hora de construir novos passados, presentes intensos, futuros emocionantes.
Tá na hora de ir.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ALICE ATRAVÉS DO BELICHE

"We meet again old friend" de Tommy Ingberg (manipulação em photoshop)




O menino via a cama da menina em cima dele. Lençol listrado por entre o estrado. No canto esquerdo do olhar, o pai. Com um livro aberto. A história dos gatinhos que corriam atrás de um novelo. Seu olho teimava em fechar. Mas ele não queria. A voz do pai era música. Música triste. Ele sempre lia com voz tão alegre, às vezes sonolenta. Nunca triste. A mãe passa como sombra pela porta. A porta do quarto deles fecha com estrondo. O pai para. Aperta os olhos. Raiva? Outro sentimento parecido. Um sentimento que ele não conhecia. Ainda.

A menina via o teto acima dela. Um globo redondo. O pai abaixo dela lendo seu livro preferido: Alice no País das Maravilhas. Sempre pedia pra ler a parte onde a gata corre atrás do novelo. O pai estava lendo com raiva e rápido. Decerto estava querendo logo terminar o livro. Estava acontecendo alguma coisa entre ele e a mãe que passou com passos firmes pela porta. A porta do quarto deles fecha com estrondo. O pai para. Dali não consegue ver o que o pai estava sentindo, ele baixou a cabeça. Estava chorando? 

- Pai?
- Filha, dorme.
- Vocês brigaram?
- Amanhã papai vai pra casa da tia Lôra. Mas eu venho todo dia visitar vocês.
- O senhor não vai mais morar com a gente? - Perguntou o menino.

A menina entende e chora. Sempre que a menina chora, o menino chora junto. E o pai sempre chora com eles. A mãe chora no quarto trancado.

O sono vem embolado com as lágrimas. A menina dorme logo. Tem o sono pesado. O menino olha fixo pro pai. E a imagem do pai vai sumindo nos olhos marejados. A voz dele permanece nos seus sonhos. Sua voz guia-o nos amores frustrados, nos recomeços, nas estradas vazias, gargalha com suas alegrias. 

O menino acorda num salto, corre até o quarto deles. Nem a mãe, nem o pai. Abre o guarda-roupa. Só um terno preto.

Grita, com a voz dele:

- Cadê você, pai? 

A menina acorda num salto, olha pra baixo e vê o irmão saindo correndo. A "bá" entra no quarto e a ajuda a descer, aperta-a ao seu peito , seu colo é tão macio. Ouve os gritos do menino no quarto lá do fundo. A menina pega na mão da "bá" e vai até o menino que está dentro do armário, chorando,e enche-o de beijos.

- To aqui.

O menino chora terminando de digitar o texto. Tem dificuldade em terminar, porque não quer colocar simplesmente "FIM". Ou dizer que também gritou quando a irmã partiu. Também não quis dizer que via em toda pessoa que partia, um terno preto esquecido no guarda-roupa. E que queria chamar todos de volta para que todos pudessem vestir o mesmo dia de Sol.





quarta-feira, 21 de novembro de 2012

MÁ IMPRESSÃO

- Tem um ninho de bem-te-vi na sua janela.
- Bom sinal.
- Ótimo sinal.

- O sinal tá aberto.
- Nossa, nem vi o sinal, distraí.

- Sinal de que está tudo perdido.
- Sinal de que nunca houve nada.

- Acho que isso é sinal de amor.
- Não sei interpretar os sinais.

- O que é isso, um sinal?
- Não, câncer de pele.

- Essa nuvens...
- Lindas...
- Não é isso.
- O que é que tem?
- Parecem mais sinais de fumaça.
- Aquela ali parece alguém dizendo: Fomos destruídos por uma bomba atômica.
- A de baixo parece sinal de adeus.

Cigarra cantando no final do dia : Sinal de sol no dia seguinte.
Dor no metatarso direito : Sinal de chuva.
O marido bem-humorado: "Bom dia". A mulher responde: "Só se for pra você". Sinal de TPM.
Um advogado consegue adiamento de um julgamento truculento: Sinal de Pizza.
A mocinha da novela desmaia no capítulo de segunda-feira , depois de ter transado com o galã no capítulo de sábado: Sinal de Gravidez.
O médico fala que já fizeram de tudo e que ela é muito forte e vai suportar: Sinal de Óbito.

Ela ligou, disfarçando a saudade com uma frase casual, ele diagnosticou cinismo.
Ele ligou, disfarçando a imbecilidade com uma frase banal, ela diagnosticou frieza.
Ela ligou, disfarçando o amor com uma frase idiota, ele percebeu vazio.
Os dois entenderam os sinais errados.
Os dois se amam.
Mas preferem se esconder da chuva sob marquises de papel crepom.
Se encharcam de medo do futuro e covardia.

Mau sinal.










segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A DOIDA



- Ela é uma gracinha mas é tão dependente ... (disse ele comendo um bolo de chocolate que o irmão gordo acabara de fazer).
- Por isso que eu não curto namoro. Começa tudo bem, depois é essa palhaçada de "não vivo sem você".
- Por isso que você não curte mulher.
- Nem homem. Gosto mesmo é de videogame, você sabe, mas quando to a fim de dar umas socadas , nada melhor que uma mulherzinha.
- Tu é um grosso. Mas faz bem bolo de chocolate. Ia dar um maridão.
- Tipo você?
- No fundo eu tenho pena da mulher que se apaixona por mim. - O celular vibra, ele odeia barulho de celular, atende com um sorriso sincero - Oi amor, que bom que você está vindo... fala pouco...pouco pra gente se ver... hmmm ... nada, nada acho que é dor de barriga...comi alguma coisa ontem. Hoje nem consegui nada, mas vai passar, é só você chegar e tudo vai passar...então vem...vem logo amor...não liga muito pra não pagar uma fortuna de celular... beijo amor...te amo...
- Se eu soubesse tinha feito o bolo sem açúcar. Ficou todo meloso... queria ser como você.
- Eu também.
- Não sei quem é mais canalha.
- Você claro. Pelo menos eu dou a elas a sensação de felicidade.
- Não iludo ninguém. Se existir Deus acho que ele não te deixa passar pela portinha.
- O portão do paraíso virou uma portinha?
- Sei lá não acredito nessa porra mesmo.

Ela ia demorar a chegar. Dormiu. Foi pro Facebook. Acordou , fez uma macarronada. Comeu de lamber os beiços. O telefone vibra novamente. Ele atende com...bem, ele atende.

- Oooi amor. E aí? Tá almoçando? Comida boa?... é, na estrada é assim mesmo... é...é... não...não melhorei não... ainda agora fiquei uma hora no banheiro amor... to esquisito...não sei... é...sei... sei... vou fazer isso sim... beijo... também.

Vai ao Facebook, escreve uma mensagem: "Júlia chegando, vai ser complicado da gente sair todo mundo. Você sabe como ela é." O outro responde: "To sabendo. A gente deixa pro outro fim de semana. Vocês estão bem?" . " Daquele jeito. Mas a gente vai se acertar". "Torço por você amigo".

O amigo sai do Facebook e passa uma mensagem: "Barril, a xarope da namorada do Sbarro tá vindo aí. Melou o forró, a velha não gosta, vão ficar ouvindo ópera na casa dele o finde inteiro hehe". Barril responde: "Tranqs. Blz.".

Manda alguns emails, dorme, come um biscoitinho, a vinda dela sempre trazia alguma ansiedade. Dorme, ouve música, vai dar uma volta de bicicleta. Olha o relógio. Ela está quase chegando. O vibra toca:

- Oi mô. To muito mal. Mal de verdade. Não saio do banheiro...me avisa quando estiver chegando.

Ela saiu da rodoviária quente como o inferno. Esqueceu de ver como o ônibus era. Era convencional, sem ar. Oito horas de calor infernal. O cabelo dela estava demoníaco. Tudo parecia mais um conto dantesco. Ligou pra ele. Que bom, ele parecia feliz por recebê-la. Então as cismas não eram verdade. Que bom. Ou não. Estava decidida a ir e terminar. Aquilo tudo não fazia sentido. Ela não o sentia mais perto. Estava muito longe, mais do que a distância que os separavam. Tentou se concentrar nos estudos. Mas o balanço a estava deixando enjoada. Preferiu dormir. Dormiu profundamente. Acordou assustada. Ligou, ele sempre foi seu porto seguro, onde ela podia depositar seus medos, suas inseguranças. Sempre pensava que tinha que voltar à análise, fazer isso com um analista. Mas ele parecia tão compreensivo. Foi seu jeito solidário que a encantara. Ele era encantador. Chorava com as suas dores. Mas ultimamente não chorava mais. Ela era só dor. Leu, ouviu música, estudou. Tentou se distrair mas acabou dormindo. Mal podia esperar a hora de vê-´lo esperando na rodoviária. Que terminar que nada. Estavam engatando um relacionamento tão sólido, passando pelas dificuldades. Ele era mais resistente que ela. Ligou. Dor de barriga? O dia inteiro? Melhor lembrar a hora que ia chegar. Não gostava de esperar em rodoviária tarde da noite. Ele estava mais reticente. Cisma. Claro, muito cismada. Meta: Ser mais segura, mais auto-confiante. O beijo na rodoviária selaria esse pacto secreto com ela mesma. Ficou tão feliz de repente que resolveu ligar de novo, brincando.

- Oi, amor... ta complicado aqui...que horas? Não vou não! Ta doida?... você vai até aquele ponto do outro lado da rodoviária e pega o ônibus..ah você sabe? Tá bom... Desligou , acho que ela ficou puta. - Disse ao irmão acabando de comer feijão, batata frita e bife, que ele comera com gosto.
- Coitada. Você podia ir lá.
- Já tá na hora de eu parar de ir em rodoviária buscar, ela já conhece a cidade.
- Fiquei com pena. Liga lá no jogo.
- Ainda tem isso, o jogo.

Viu o jogo inteiro. Meia noite e ela não chegava. Ligou. Caixa Postal. E ligou, e ligou, e ligou. Deveria ter ido busca-la , pensou. Mas ela tinha que aprender a ser menos dependente dele. E se aconteceu alguma coisa? Pensou. Não, não tinha acontecido nada. Ela ia chegar bem mau humorada e eles resolveriam na cama. Mas não podia esquecer da dor de barriga. Porque inventou aquela dor de barriga? Ah é, não estava a fim de transar com ela naquela noite. Uma mentira precisa ter começo, meio e fim e do jeito que ela era, ja tinha comprado um remédio pra ele na estrada. Pensou nela com ternura. Tudo ia dar certo no final. Ele tinha certeza. De novo, Caixa Postal. De novo e de novo. Duas da manhã. Mensagem:

"Estou voltando no mesmo ônibus que vim, seja feliz".

Louca. Mulher louca. E quer me enlouquecer. Acabou. Se ela quer que acabe, acabou.

- To indo dormir. Cadê a Júlia?
- Foi embora.
- Deu ruim.

Nunca mais a viu.
Aquela doida.

domingo, 18 de novembro de 2012

EM CINCO MINUTOS





Ele viu a morena esperando o ônibus e pensou:

"Vou até ela. Quem sabe? Não estou fazendo nada".

Eles papearam. Se encontraram no dia seguinte. Viveram um romance lindo por seis meses. Resolveram se casar, ela engravidou. Depois de algumas complicações na gravidez, ela perdeu Clara. Estavam casados, se olhavam, mas não mais se reconheciam. Ela começou a beber. Ele conheceu Duda, conheceu Sharon, conheceu Sara. A morena descobriu um email de Sara e enlouqueceu. Quebrou o computador. Depois rasgou todas roupas dele. Saiu para beber. Encheu a cara. Ficou zonza e nem percebeu quando pegou a faca na cozinha e se deitou no sofá. Ele abriu a porta, cuidadosamente para não acordar a mulher que supunha na cama, e quando estava indo para o quarto, foi surpreendido quando ela o esfaqueou pelas costas. Uma, duas, três vezes. Ele caiu e não acreditou que estava morrendo.

Ele viu a morena esperando o ônibus e pensou:

"Vou até ela. Quem sabe? Não estou fazendo nada".

O ônibus dela chegou, não deu tempo de alcança-la. Nunca mais viu a morena.

Às vezes, o acaso precisa chegar antes que a gente se torne o acaso.


CARTA




Tentei fazer mapas para não cruzar com você.
Obrigado, por, hoje, ser o centro da minha vida infernal, novamente.
Obrigado por me lembrar que eu não tenho o direito de ser feliz.
Que eu não tenho o direito de amar.
Que me sinto tão pequeno que você, que é nada, parece Um Cristo Redentor. Porque sinto sua respiração, sinto sua presença macabra e sombria.
Meu Demônio ali, presente, enorme e poderoso. Cínicamente blasé. Como se nada fosse.
Você uma criança, infeliz. Pó.
Você, que é Nada, trouxe a tempestade ao meu dia de Sol.
Trouxe choro.
Trouxe dor e medo.
Te renego, demônio. Pego a minha cruz e te renego.
Mas não adianta.
Você é mais que você. Você é todos os escuros por onde andei. O meu peso.
Você me faz uma pessoa pior. O passado vem até mim , me soterrando qual cavalaria desembestada.
Preciso de um Amor que disso me salve. Um ser encantado que derrame o pó do amor por mim mesmo.
Que me faça ver o quanto sou grande. O quanto sou poderoso.
Que vai iluminar de tal forma a minha estrada que as sombras nada signifiquem.
Hoje?
Sou resto. Sou lixo.
O que restou de cada segundo que você sorveu. O resto de vida e de viço que você sugou.
Hoje sou o personagem que morre antes do Fim.
Desterro da minha alma.
Venha, leve o que tenha para levar.
E desapareça.
Sem deixar vestígios.







sábado, 17 de novembro de 2012

CINISMO (no MOTEL)



- Gostou da massagem amor?
- Faz mais um pouquinho...ali.
- Tá, amor.

A massagem... ali..era justamente para começarem um sexo selvagem. Da parte dela. Ele apenas cumpriu o "trivial simples" enquanto ela urrava, unhava, mordia. Uma louca.

- Foi bom amor?
- Você exagerou.
- Como assim?
- Não fui tão bom assim. Na verdade eu sou bem mediano.
- Ah, sei lá acho que é essa coisa que eu sinto por você quando você me possui.

Ele ri de sentir dor no abdômen.

- O que eu falei?
- "Possui". Eu estava falando sobre isso com a Darlene. Possui...

Nova sessão de risadas intermináveis. A face dela fica sombria.

- Acho que alguém está sendo sacaneado aqui.
-Você, é claro.
- Ainda confirma?
- Não tem nada mais cafona que essa expressão "possui". Parece que estamos nos "50 tons de cinza".
- Vai me dizer que você não gosta.
- Nunca li. Um cara que fica amarrando a mulherada, pingando as trouxas com cera quente...
- Vai...fala...
- Esconde um ódio pela mulher... isso é misoginia.
- Quer uma cerveja?
- Bora tomar uma.

Tomam a cerveja, duas, três , na quarta partem para o "segundo tempo". Ela brochou.

- Nossa , que tédio.
- O que foi, Ju?
- Sei lá, parece que você está com uma boneca inflável.
- Será que não é porque você está superestimando o sexo?
- Eu até senti o gosto de plástico na boca.
- Deve ser o sabonete que eu...
-PARA!
- O que foi, meu Deus?
- Para de falar em Deus você não acredita nele.
- Tá , foi só uma expressão.
- Não interessa!

Ela vai até a bolsa, pega uma vela, acende um isqueiro. Ele assiste a todos os movimentos atento. Ela se aproxima com a vela que começa a derreter. Ele não acredita que ela...

-AI!
- Tá sentindo alguma coisa?
- Porra, para de pingar essa merda em mim. AI!
- Tá gostando? Dor.

Não satisfeita ela encosta a vela nele.

- AI! Tá louca! Você me queimou... de verdade.
- Ficou uma marquinha. Pequenininha. Que frescura. Nossa, agora to ficando excitada.
- Tá maluca? Vamos embora.

Ela tira um revólver da bolsa.

- LOUCA!
- Pede pra viver... ou pra morrer...
- Você jamais faria... você faria?
- Você nunca viu uma mulher.... uma pessoa realmente excitada viu?
- Claro! Mas isso.... nunca vi uma arma de perto.
- Mas está vendo agora.

Ela engatilha a arma.

- NÃO!
- Sentimento!!!!!!!!!!! Estou vendo SENTIMENTO!!! Medo? Pavor? Delírio pre-mortem?
- Por favor!!!
- Súplica, você está suplicando.........
- Vira essa arma pra lá...
- Você está chorando.... De um olho só, igual ao Bibelô do Nelson!
- Não faz isso comigo...
- Agora me come...
- Hã?
- Vem...
- Nossa, eu to excitado...
- Vem...
- Vou!

A arma escorregou da mão de Judith e caiu no chão. Um tiro acidental que perfurou a janela do "Flor de Maio". O tiro o excitou ainda mais. Puxões de cabelo, arranhões, xingamentos. Clímax.

- Uau. O que você fez comigo, Ju? AI! Você encostou na queimadura da vela.
- Pra você nunca se esquecer de mim. Se veste e sai.
- O quê?
- Um cínico , mesmo depois que desperta, sempre volta ao ponto inicial.

Renato se vestiu e saiu. Estava amanhecendo. Olhou para a queimadura com um esgar de ternura.

- Onde tem uma farmácia por aqui?



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CINISMO




- Minha virtude maior é o desapego.
- Quer dizer que eu jamais devo esperar qualquer coisa de você?
- Melhor não...mas não se preocupe, quero você pra sempre.
- Mas, sem apego?
- Sem nenhum apego.
- Mas como se quer alguém pra sempre sem nenhum apego?
- Querendo alguém pra sempre sem esperar absolutamente nada de você, e vice-versa.
- Quer dizer que você inaugurou o cinismo na nossa relação.
- EU NÃO SOU CÍNICO.
- Claro que é. Eu estar aqui ou não, é a mesma coisa.
- Claro que não, eu te amo.
- Sem apego?
- Sem nenhum apego.
- E se eu morrer?
- Você não vai morrer.
- Eu estou dirigindo esse carro, posso bater ali naquele poste e morrer, já que o meu carro não tem air bag.
- Bobagem.
- Se eu morrer você vai cagar pra mim.
- Não.
- Vai chorar?
- Provavelmente.
- Vai  falar no velório: "Como vou viver sem você"?
- Talvez, na hora da morte falamos umas coisas tão sem sentido.
- Cada vez mais cínico.
- Quer parar com isso?
- Então é sem sentido dizer: "Como vou viver sem você"?
- É. Porque é ÓBVIO que a gente consegue viver sem alguém.
- Substituindo por outro alguém?
- Provavelmente.
- Cínico e cachorro.
- Acho melhor a gente deixar pra outro dia.
- Sim, o cachorro é errante e instintivo, o cachorro se apega a quem lhe dá qualquer coisa. Ou comida. O dono se contenta com um abanar de rabo. Como você faz quando diz : "Eu te amo".
- Teve aquele cachorro do Richard Gere naquele filme...
- Aquele cachorro não era um cínico, tinha uma ligação espiritual com ele, transcendental. Acho que ele não era nem um cachorro.
- Pois é, mas se parecia bastante com um.
- Você também. Sai do meu carro.
- Mas a gente está numa auto estrada.
- O seu faro é suficiente pra encontrar o caminho de volta.

Darlene parou, destravou a porta e deixou Renato sair. Ele, cabisbaixo, passou uma mensagem para Judith, que lhe respondeu prontamente. Sentou no acostamento e uma hora depois Judith chegava.

- Oi amor.
- Você me acha cínico?
- Que pergunta boba, amor. Quer dizer que ela te deixou aqui e se mandou?
- Foi assim.
- Vamos aproveitar e dar um pulinho ali no "Flor de Maio"?
- Sexo... não sei, acho que fiquei meio chocado.
- Nada que uma boa massagem , uma cervejinha e um amorzinho não cure. Hoje você vai ser todo meu.
- Vai começar tudo de novo.

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Fundada por Antístenes a filosofia do Cinismo pregava o desapego aos bens materiais. Inicialmente pregada para repudiar o apego ao luxo ateniense, essa filosofia serviu para designar os homens desprovidos de decência já que o desapego se estendia até aos costumes , aos sentimentos, à moral da época. Por isso, os adeptos do cinismo eram comparados aos cachorros, completamente despudorados, errantes e levados apenas pelos instintos.



domingo, 11 de novembro de 2012

MENINO



- Pai, falta muito?
- Ô filho, se a gente pegar ônibus, vai demorar pra chegar, não tá vendo que tá engarrafado?
- Mas minhas pernas doem....
- Já tá chegando, já tá chegando, lá eu vou comprar um cachorro quente pra você.
- Legal! E posso tomar Grapete?
- Grapete não que você tá gripado.
- Puxa.
- Tá bom, pode tomar Grapete.
- O senhor acha que a gente vai ganhar?
- Ninguém sabe, mas não vai ficar triste se a gente perder tá?
- Quem fica triste é o senhor. Fala cada palavrão. Pra mim tanto faz, não gosto do Rivelino.
- Porquê?
- Ele é Corinthiano, como é que vai jogar no Fluminense?
- Não, filho, ter jogado num time não quer dizer que ele torce pra aquele time. Fora que ele pode ser Corinthiano em São Paulo e Fluminense aqui.
- Nada disso, pai, eu sou Fluminense em qualquer lugar.
- Então me fala o time todo do Fluminense.
- Tá. Gil, Carlos Alberto, Manfrini, Silveira, Assis,Félix, Zé Maria,Marco Antônio, Paulo César.
- Mas e o Rivelino?
- Pai, ele torce pelo Corinthians pai!
- Mas ele é o craque do Fluminense filho!
- Tomara que o Fluminense contrate o Pelé!
O pai ri.
- Caramba, que gigante! - O Maracanã surgiu majestoso nos olhos do menino.
- Bonito né filho?
- Puxa pai, obrigado por me trazer. Bonito, né Mone?
- Quero fazer xixiiiii!
- Vamos parar ali pra você fazer xixi.
- Passou.
- Menina chata!
- Parou, Chiquinho!
- Chato é você tá?
- Parou, Mone!
- Quero Mineirinho!
- Calma, tamo chegando.
- Compra uma bola?
- O que você vai fazer com uma bola desse tamanho no Estádio?
- Não é pra jogar no Maracanã é pra brincar amanhã na sua casa.
- Mas quem vai ter que carregar sou eu.
- Pai, você é chato.
- Não é nada!
- É!
- Não é!

- É!

- Não é!

- É!

- Não é!
- Parou os dois, senão eu volto pra casa!
- Não, pai quero ver o Fluminense!!!
- Vai ser quanto pai?
- Vamos vencer!
- De quanto?
- Sei lá. 
- Quatro a zero!
- Ahhh pai, não queria que o Vasco não fizesse gol!
- Então vamos dar um gol pro Vasco , né filho? - E piscou pro filho.
- Tá. Garota chata!
- Eu sou chata pai?
- Não. Você é meu amor!
- Eu também sou seu amor, pai?
- Os dois são meus amores!
E chegaram no Estádio. O pai segurou a filha no colo e pediu para o filho apertar bem forte a mão dele. Tinha que entregar os filhos intactos na casa da mãe. O filho sentiu medo daquela gente toda gritando, correndo, se apertando para pegar o melhor lugar na arquibancada. A filha fez beicinho , mas depois riu. Ela se divertia com o perigo. O pai tinha medo de perder os filhos de vista. Não podia se imaginar sem eles. O filho ao chegar na arquibancada e ver aquele gramado verdinho deixou soltar um... "Pai, é bonito demais!".
A menina acertou. O Vasco fez um gol. Mas o Fluminense fez 4. Goleada!
Campeão por antecipação em 1975.
Como hoje.
Lembrei do meu pai. Senti minha irmã no meu peito.
Eles são meus campeões.
Pra sempre.




quinta-feira, 8 de novembro de 2012

GRANADA





E alguém gritou....

VAI TOMAR NO CU!!!!!!!!!!!!

...e ninguém estava ali.

Foi um.

ECO.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

INVISÍVEIS FLORES

        




Pedrinho demorava o máximo para descer para o Recreio nos anos 70, já que não falava mesmo com ninguém e tinha vergonha de falar: "Dá licença", esperava a confusão passar na porta da cantina para comprar Grapete e Mirabel.

      Luciana aceitava comprar a merenda de todas as alunas descoladas da sua turma , só assim elas não enchiam o saco falando da sua meia três quartos furada ou sua camisa meio amarelada , a mesma que usava no ano passado.

       Theo tirava sempre notas abaixo da média para nunca ser citado pelos professores.

     Amanda fica esperando na esquina da casa dos amigos em dia de festa para nunca ser a primeira a chegar. Também não quer ser a última e passa a festa inteira indo ao banheiro.

     Janaína não sai com as amigas pra dançar. Diz que amor só atrapalha, que quer ser bem sucedida e pronto.

     Cláudio sempre se escondeu embaixo da cama quando a avó chegava. Detestava que lhe apertassem as bochechas e dissessem seu nome em voz alta.

     Jorge passava o dia inteiro com as galinhas no quintal, só elas eram capaz de compreendê-lo.

     Duda anda de boné o dia inteiro, não suporta seu cabelo pixaim.

    Mário detesta ser aplaudido no final das apresentações. Procura se esconder atrás dos outros atores e não suporta ser fotografado.

    Vi o filme "As vantagens de ser invisível" ou em inglês: "The perks of being a wallflower". Traduziram muro de flores por "ser invisível" . Tem coisa mais linda que ser invisível? Não sei se na sociedade americana um muro de flores passa despercebido, mas eu quando vejo um muro de flores perco a fala de tanta admiração.

    Será que é porque eu sou invisível?

    Talvez.

     Charlie tem uma família perfeita, irmãos que o amam, mas passou pelo suicídio de um amigo e pela morte de uma tia que adorava. Logo, quase por acaso, conhece os melhores amigos que alguém poderia encontrar numa escola. Porque tão triste? Tão apático? A revelação é chocante.

    Alguns nascem assim e Charlie é a mais pura flor. Um muro de flores cai na primeira ventania , é lindo e frágil, mas é lindo mais que frágil. 

     Sou professor de alguns Charlie's e que universos maravilhosos! Quantas surpresas se escondem num muro de flores! 

     Eu mesmo fui invisível, e me sinto algumas vezes, sabe aquelas situações que a gente passa o dia dizendo: "bom dia" e ninguém mesmo responde? Isso acontece comigo frequentemente.

     E quando a gente chega num lugar e, se a gente não deixa cair alguma coisa no chão, ninguém repara que chegamos? Sempre fui mestre nisso.

     Quantas vezes minha mãe se assusta com a minha presença: "Nossa, tu estavas aí?".

     No filme, então, julgam "invisíveis" os "adolescentes-flores" : Mary Elizabeth, Sam , Patrick (uma flor mais que exuberante que é chamado de Ninguém) e os outros frequentadores estranhos, lindos e complexos.

     Eu vi o filme e me senti incluído. Poucas vezes assim me sinto. As pessoas rejeitam os que sentem dores, os que adoram o passado, os hiper-sensíveis. Muito melhor ser descolado e estar sempre feliz.

     Muito melhor ser um muro de alvenaria. Esses nunca caem.

     Eu, prefiro ser um muro de flores. Eu prefiro ser invisível. Eu prefiro ser infinito.

     Charlie, me espera aí, tenho que te mostrar o que eu escrevi!




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

HALOWEEN



Totalmente a favor do Haloween.

E daí que é uma festa estrangeira?

Os santos são todos estrangeiros. O carnaval se originou na Europa dos ritos pagãos. Natal. Vamos matar o Papai Noel, as renas e colocar um índio velho puxado por antas? Não estou afim.

Que criem o dia do saci, da mula-sem-cabeça, do negrinho do pastoreiro, mas deixem o Haloween onde está e proíbam seus filhos de usar chifrinhos na escola.

Hoje estou usando os meus.

Hoje estou evocando o Mal. Ou seja, deixando que o políticamente correto, que o socialmente aceito , desapareçam por completo. ]Quero A VERDADE.

Porque se isso é o Mal, então estou fazendo as pazes com ele. Eu que o expulsei em nome das aparências , em nome do Bem Estar só do outro, quero olhar pra mim. E se olhar pra mim é o Mal então é isso o que estou fazendo.

Não quero conviver com quem eu não quero. Não quero ser obrigado a ser carinhoso com quem me ignora. Não quero falar bem das coisas que me incomodam, não quero celebrar o dia do Saci se é dia do Haloween.

Ensinem suas crianças a adorar seu País votando direito, votando na Comunidade, acreditando nas mudanças de baixo para cima. Não é matando as bruxas que vocês matam a influência americana na nossa cultura. Estou evocando o Mal. Parem de usar seus tênis Reebock, joguem fora o Mac. Comprem a matéria nacional. Não tenham carros importados. Comprem os nacionais. Façam fila para ver os filmes nacionais. Não desejem a Pâmela Anderson nem Brad Pitt, aqui temos os equivalentes.

Vão fazer isso? Já fazem? Porque fazem? Isso prova o quê?

O que eu ganho convivendo com quem só me mostra o lado hipócrita, insensível, utilitário?

O que eu provo tentando me relacionar com quem me ignora, com quem dispensa as minhas qualidades?

O que eu acrescento estando ao lado de quem só me provoca sentimentos ruins?

Será que ficar só, completamente só é tão ruim assim?

Nesse momento queria proferir algumas palavras mágicas e pulverizar "a doce convivência entre pessoas que não se suportam".

Porque as vilãs de novela são tão aplaudidas, mesmo transformando a vida da mocinha num inferno?

Porque elas evocam  a Verdade.

Porque aquela burra acreditando num cara que fez o diabo com a vilã na cama porque tomou um calmantezinho merece sofrer.

Porque o corno que nunca perguntou porque a vilã sempre sai às quatro horas da tarde e nunca disse o porquê, merece sofrer.

Porque a pobre mocinha que foi trancada no quarto escuro pelo vilão nefasto e teve medo de contar pro mocinho no dia seguinte com medo de "dar confusão" merece sofrer.

Quem tem medo da Verdade merece sofrer. Estou sendo mau? Que seja.

Hoje estou evocando a Verdade, doa a quem doer.

E sei, sim, eu sei, que quem mais vai sofrer:

SOU EU!


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ADÃO






Adán (Arrenpentimiento) - Alex Stevenson Díaz___Open Art____________@


Deus não gostou do que viu e como Adão adorava agradar a Deus, sentiu uma coisa estranha. Um vazio, uma vontade de voltar no tempo. Uma angústia. Um medo do futuro.

Eu me arrependo de um dia ter acreditado na minha carreira. Eu me arrependo de ter subido a rua Pacheco Leão com todas as minhas esperanças na mão.

Eu me arrependo de acreditar que o meu talento, apenas ele poderia me ajudar a ser respeitado na minha profissão.

Eu me arrependo de acreditar que uma pessoa, quando ama outra, é capaz de tudo por ela.

Eu me arrependo de ter amado além das medidas.

Eu me arrependo de não ter saído de casa quando as portas se abriram porque achava que o mundo fosse me engolir e destruir.

Eu me arrependo de não ter aprendido a dançar ballet.

Eu me arrependo de ter aberto a porta do carro e dito ao meu pai: Sai!

Eu me arrependo de não ter visitado minha irmã no dia que ela partiu.

Eu me arrependo de não ter pego os meus escritos e levado na "cara dura" a uma editora, e depois outra, depois outra.

Eu me arrependo de não ter estudado pra aquela prova do Banco do Brasil quando tinha dezesseis anos.

Eu me arrependo ...

Eu me arrependo...

Deus não gostou do que viu.

Eu não me arrependo de nada.





















segunda-feira, 22 de outubro de 2012

TEORIA ATÔMICA



Um avião bombardeiro saiu do Rio de Janeiro
Carregando um artefato secreto.
Ele vendeu tudo o que tinha, ficou nu no aeroporto ao se despedir da valiosa carga.
Ninguém reparou.
Ele era invisível. Enfim. Invisível.
O bombardeiro atravessou 520 km em 40 minutos. Velocidade impressionante.
40 minutos para acabar com a sua dor.
Destino final: Uma cidade inteira.
Alvo indeterminado.
O piloto não tinha a menor idéia do que estava fazendo.
Apertou o botão sem anestesia.
O homem nu contava os segundos para o extermínio da sua dor.
Em segundos. Poucos segundos. A poeira atômica varou toda a cidade.
Todos mortos.
E sua dor não acabou.
Nem a saudade.
Nem o amor.
E o homem ,sempre nu, andou pelado pelas ruas de Copacabana.

Clique nesse vídeo óbvio.

http://www.youtube.com/watch?v=lkpUsTA-zwo

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O PRIMEIRO DIA



Fino desceu as escadas, pela primeira vez sozinho e ajeitou a garrafinha de Toddy na merendeira.

O mundo estava ali, ao seu alcance. O mundo era seu mundo. Era seu o mundo.

Amava a escada, a calçada, a árvore. Amava a rua que atravessava, amava o sol, amava o calor. Amava aquela velhinha com dificuldade de atravessar a calçada.

Depois amava a esquina. E o mendigo sentado ali com olhar vago, amava a voz dele que pedia uns centavos. Amava o susto que levou e amava a corrida que deu para fugir do susto.

Fino amava o ônibus que se aproximava. Amava o motorista. Amava o bom dia que deu. Amava a trocadora mau-humorada que passou seu cartão na roleta. Amava a senhora que se ofereceu para segurar sua mochila pesada. Amava o sorriso que a menina alta deu para ele.

Amava a paisagem que passava célere na janela. Amava aquele calor gerado pelas pessoas que se acotovelavam  Amava aquele cheiro de suor. Amava.

Amava a escola que se aproximava e amava o senhor que se ofereceu para puxar a cordinha do ônibus.

Amava entrar pela primeira vez , sozinho, no colégio.

Fino era só amor. E aquele momento de amor foi inesquecível, único, indescritível.

Fino está amando em qualquer lugar, ele vai amar onde quer que vá.

O amor o faz continuar.

Fino ama. E está só.

"Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão" (Carlos Drummond de Andrade)

________

Clique e veja Paulo José no poema de Drummond que me inspirou esse post.

http://www.youtube.com/watch?v=5uP7Ctcxqhk&feature=related







terça-feira, 16 de outubro de 2012

NOS NÓS.



GNT. 22:30h. Sessão de Terapia. Entretenimento para poucos, já que a Tv a cabo brasileira é a mais cara do mundo.
Como se fôssemos suiços, dinamarqueses, monegascos.
Algumas vezes fico assistindo essa série e achando que eu mesmo estou tearapia tão íntimos e universais são os temas abordados.

Outro dia a terapeuta Dora, interpretada pela brilhante Selma Egrei disse uma frase incrível: "Quando a relação não está bem, a parede não cai aos poucos, ela simplesmente colapsa".
Colapsa.
Pode se dizer palavra melhor para descrever o fim de uma relação?
Colapso.

A surpreendente Maria Fernanda Cândido (nunca gostei dela em cena, agora adoro, santo diretor!), sem maquiagem, anti-seduzindo o terapeuta disse:
"A gente resolveu casar".
O terapeuta Theo, enigmaticamente interpretado pelo brilhante ZéCarlos Machado disse:
"Você nunca usou "nós"". "Você está me incluindo?".
E estava.

Quanto cuidado vou ter agora quando eu usar a palavra "nós".

Nós.

Há pouco tempo recebi felicitações: "1 ano de Nós".
E o pronome nunca foi tão contundente ao se parecer com um substantivo.
Que outra palavra posso usar além de Nós para descrever uma relação?

"Eu e ela(e)" pressupõe duas individualidades e separa o interlocutor da história fazendo-o mero observador.
"A gente" junta a todos, inclusive quem não está ouvindo, generaliza a ponto de banalizar o fato. "A gente vai casar" . Como todos o fazem.
"Nós". Além de incluir a terceira pessoa num triângulo íntimo, ainda pressupõe laço apertado. Um amarradio.

Como é bom ser um terapeuta e assistir de camarote a toda essa confusão, mesmo que se esteja envolvido nela. Até porque se o "nó" ficou complicado (o que acontece com ele), basta que se dê um basta na relação profissional. O problema é ser o sujeito. O Protagonista da história. Como é duro ser a Julia, que está num dilema entre a paixão pelo psicoterapeuta e a segurança na relação, o nó amarrado , com um homem que a ama incondicionalmente. Mas Theo, o terapeuta, também  é co-sujeito, na medida que ele (compreensilvelmente) se vê amarrado também nesse nó.

O salto no escuro ou a nau amarrada no(nó) porto?

Nesse último episódio ela se joga numa aventura ainda mais perigosa. Ao ver o colapso da sua relação terapêutica , quando o salto no escuro se revela suicida, ela se joga literalmente nos braços de um homicida em potencial. Um homem sem culpa. Um atirador de elite.

E olha...não ganho NADA para fazer o comercial dessa série.

Um blog é um recurso egoísta de falar de si mesmo (eita redundância!!!!) , mas adoro passear pelos outros pra falar de mim.

Uma amiga, uma escritora maravilhosa que fez breves aparições no meu coração, disse-me certa vez: "Fale em terceira pessoa, fale no ponto de vista do outro, de quem te olha, ou de quem olha o protagonista. As pessoas já estão de saco cheio dessa coisa auto centrada.".

Desde então nunca tive tanta vontade de falar de mim mesmo.

Adoro desfazer nós assim. Detesto estar amarrado a opiniões. Quero ser livre até para fazer o que todo mundo faz. Quero ser livre até para ser careta.

Por falar nisso, outro dia eu falo sobre relações abertas... onde aparentemente não há nós, mas....

Bem, deixa pra outro dia, isso aqui tá enorme.

O céu tá tão azul lá fora... SANTA PRIMAVERA!


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

EU QUERO VER TU ME CHAMAR DE AMENDOIM

Quando é que Deus olha pra gente e diz: Vou te dar uma chance?
Ou: Vou abrir os olhos pra que te vejam?
Existe esse momento?
É realmente Deus que faz isso?
Perguntando apenas. Não estou questionando a existência do Altíssimo.
Só queria saber se é Ele.

Vida real: A atriz Cacau Protásio que faz a "Zezé" , esse personagem hilário em Avenida Brasil, a novela chiclete que não sai das redes sociais, não sai da cabeça de milhões de pessoas todos os dias, apareceu na TV falando com uma apresentadora de TV, ao lado da outra empregada, Cláudia Missura,  a "Janaína", personagem que transita entre o dramático e o cômico,  que, quando foi chamada, comentou com a colega de elenco: "Deus não ia colocar a gente aqui à toa".

Explico: Cláudia Missura, assim como eu, é bem cética quanto ao papel das empregadas em Televisão. Disse que o papel das empregadas se resume a "Patroa-suco". As patroas na novela estão sempre tomando suco não sei do quê. E ela, Cláudia Missura quase recusou a novela, mas foi seduzida por um produtor de elenco  que disse que a história dela seria muito boa, que teria um filho, que precisavam de uma atriz que flertasse com o dramático etc, etc... Isso encheu os olhos dela. Além do que, recusar um convite da poderosa Rede Globo, como todos nós atores e atrizes sabemos, é praticamente dizer não ao "Chamado de Deus". Pecado Mortal.

Daí, Cacau Protásio sentenciou em resposta ao ceticismo de Cláudia : "Deus não nos colocou aqui à toa".

Talvez, inconscientemente, ela estivesse se referido ao deus  João Emanuel Carneiro, o autor da novela, mas ela estava falando na entrevista de Deus mesmo.

Volto à questão inicial:

É ele quem nos escala?

A seguir,  Ele , maldosamente, com um sorriso de escárnio no canto de boca fala:

"Sim, você vai passar 100 capítulos esperando num sofá (confortabilíssimo , com ar condicionado e instalações de primeiro mundo, junto com os atores de primeira, diga-se de passagem) a sagrada hora de dizer: "Senhora, o suco"?

Ou ele diz com os braços estendidos ao som de "Magnificat" : "Vai filha(o), essa é sua hora, você vai cantar:

"Eu quero ver tu me chamar de amendoim"?

É ele?

Ou foi o Deus-por-seis-meses João que disse: "Vou dar uma chance pra ela, ela é tão boa!".

Foi  talento dela?

Mas... e o talento dos outros centenas de atores e atrizes que falaram magistralmente :"Patroa, o suco" e jamais falaram outra coisa além disso?


Porque não conheço ator ou atriz que ouça a frase "não existe papel pequeno existem pequenos atores" sem pensar no seu "intimo-eu" : "Balela". Existem papéis pequenos sim. Claro. Quando diretores e produtores discutem entre eles, falam: "Será que eu chamo esse ator pra fazer um papel tão pequeno?". Ou "melhor chamar esse fulano para esse papel menor".

Bem vindo ao mundo dos papéis pequenos, atores e atrizes. Eles existem. Mas podem crescer. O fato é que Nina nasceu grande. Zezé nasceu pequena.

Quando nascemos, dizem a gente: Ser pequeno ou grande depende da sua força de vontade. Outros dizem: Se Deus quiser, você... ou Tudo é sorte ou Dê para a pessoa certa. Sim, cada lar tem sua orientação.

O fato é que Cacau Protásio e Claúdia Missura, que talvez tenham trilhado caminhos duros e difíceis causados pela difícil carreira de ator,hoje vivem, por causa de seu enorme talento (comprovados em seus trabalhos anteriores em teatro e cinema) , o seu momento:

 "EU QUERO VER TU ME CHAMAR DE AMENDOIM".

É como se Cacau e Cláudia hoje dissessem ao mundo:

"Vai! Me chama de amendoim agora!".

E eu quero ver alguém chamar essa duas que conseguiram ultrapassar o escárnio de todos os deuses para falar com voz tímida , quase sempre fora de quadro:

"Patroa, o suco".

Deus!!!!!!!!! Psiu, tá aí? Não deixa mais eles me chamarem de amendoim não tá?




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MULTIDÃO

                                           Desenho de caneta esferográfica em A4 de
                                          Eduardo Cambuí Figueiredo Junior                                                                  
  




- Oi, meu nome é Paulo
- Eu sou Luciana, muito prazer.

    Não demorou muito beijaram-se. Três dias para a primeira transa. Uma semana para a segunda. Um mês para a terceira.

- To gostando demais de você. Acho que...
- Eu te amo!
- Não faz essa cara de que é precipitado não. Te amo também.

    Antes da quarta transa, saíram os dois e os amigos dele. Ela se sentiu bem...desconfortável. Um fingiu simpatia perguntando o que ela gostava de fazer nos fins de semana e se tinha nascido no Rio , isso depois de Paulo ter cochichado qualquer coisa no ouvido dele cujo fim era... : fala qualquer coisa. O outro mal falou nada com ela, apenas uma frase curta e certeira acerca de uma ex-namorada de Paulo: - ele tem um péssimo gosto pra mulher.

    Desnecessário dizer que a transa foi qualquer coisa. Ela fingiu e "gozou" rapidamente, fingiu dentista no dia seguinte, não dormiram juntos. Ele desconfiou do jeito dela, sabia que os amigos eram ciumentos, possessivos e competitivos, mas não falou nada para não gerar um DR no sexto encontro. Ou seria o quarto? Não importa. Era cedo.

     Ela fez de tudo para não ver os "malas" de novo. Resolveu apresentar seus amigos para ele. Foram simpáticos, mas formais. Ele esperava mais. Pelo tanto que ela amargou a relação depois da saída com os amigos dele, ele imaginou que os amigos dela fossem fazer "festinha" o tempo todo.

 - Esquisitos eles...
 - Os MEUS amigos?
 - É. Não bebem... não fumam.... são tão...formais.
 - Eles são assim, mas são boa gente...
 - Sábado tem futebol, quer ir?
 - Aqueles dois vão?
 - Claro, o Tomate é centroavante e o Anão é...joga mal hahahaha!
 - Ele é muito pequeno mesmo, e feio... e burro também.
 - Nossa, quanta hostilidade.
 - Não... imagina... até gostei deles, bem, eles são ciumentos com o amigo...me trataram mal... mas com o tempo... né?
 - Claro, com o tempo você vai ver como são legais.

      Paulo jurou pra ele mesmo que jamais iria a uma festa com aquela gente. Talvez num velório eles fossem bem adequados. "Figuração de velório" . Riu sozinho dirigindo pra casa.

   - Adorei ele, amiga! Mas parece que ele não gostou da gente... tão calado...
   - Vocês é que ficaram caladas...e o Marcinho então? Fez umas piadas tão sem graça...
   - Ele não tem nada a ver com a gente, amiga... se veste mal... aquela capanga... 
   - Pra guardar celular, óculos, carteira... a capanga é de Buenos Aires, chique!
   - Capanga é capanga. Pode parar, amiga, a gente foi gentil com ele... rimos muito... ele até deu em cima da... mas a conta foi cara né?
    - Como é que é?
   - Esquece, foi uma coisa que a gente comentou mas logo a gente descartou. A Fernanda é que é super derretida, acho que ele interpretou mal e meio que foi simpático demais com ela, mas é o jeito dele, ele é mais expansivo que a gente...
     - A Fernanda? Ele jamais daria em cima de uma mulher que usa lente colorida.
     - Lu, ele usa capanga.

     - A Lu vai com a gente no cinema, legal né?
     - Mas ela gosta de filme de ação?
     - Se não gosta vai passar a gostar , ela tem que gostar dos meus amigos, cara...
     - Ato falho, Paulão! Perguntei se ela gostava de filme de ação. Ela não gostou da gente né?
     - Porra, vocês mal falaram com ela, coitada. Excluíram ela de todos os assuntos, sabe como é mulher, quer ser paparicada.
       - Por isso que eu to solteiro, mermão. Não quero mulher no meu pé. E o Tomate também não foi com acara dela não. Você sabe que quando o Tomate não vai com a cara... Mas tudo bem, amigo, a gente torce aqui pela sua felicidade... Você é nosso!
        - Porra, irmãozão, tamo junto.
        - Mas olha, eu ia chamar a Vanessa, aquela louraça que você era a fim. Ela soube que você tá namorando. Ficou mais a fim ainda.
        - Nossa. Ela a fim de mim? Emocionei! Qual é a operadora de celular dela?
        - Claro.
        - Não tenho chip da Claro, deixa pra próxima. Não leva ela não, pode me criar uma situação difícil.
        - Claro, irmão, não vai faltar oportunidade.
        - Já é.

         Viajaram para uma praia quase deserta no Nordeste. Passaram duas semanas em idílico romance. Basicamente os dois. Fizeram um pacto. Depois que Luciana recebeu um telefonema meia noite do Marcinho chamando-a para uma festinha massa, um clima ficou no ar. Piorou quando ela viu "sem querer" uma mensagem do Anão, que de porre, escreveu: "Larga essa mala mal humorada e volta pros seus irmãos". Daí veio a idéia quase simultânea do pacto: Desligarem os celulares enquanto lá estivessem.

              E a harmonia e felicidade reinaram naquela casinha a beira-mar.

             O Carnaval foi em Salvador com os amigos dele. Briga por causa de uma ex do Tomate que resolveu se interessar pelo Anão. Paulão se meteu na história acobertando Anão e a pretendente. Lu não gostou, chamou Paulão de alcoviteiro. Duvidou da fidelidade dele.
            A semana santa, em Lumiar, como combinado, foi com os amigos dela. Ele foi simpático e feliz. Evitou a Fernanda que claramente dava em cima dele. Não levou a capanga, comprou uma incômoda mochila. Briga porque odiava acordar cedo. Briga por causa de gente que não fuma e resolve infernizar quem fuma. Ele mesmo odiava cigarro, mas odiava mais ainda a patrulha. Briga porque odiava música eletrônica e o Marcinho, dono do carro onde foram queria mostrar todos os sets pra Lu. Ironizou disse que era música de quem não entendia nada de música. Climão.
               Nas férias de Julho foram pra Caracas visitar a mãe dele. Não podiam dormir juntos. Desrespeito. Ela acatou , não sem uma certa amargura . Odiou a sogra.
               Feriadão do Sete de Setembro. Ele deu um Notebook pra ela. Rosinha. Macintosh.  Do jeito que ela queria .
              Marcinho e as amigas sumiram. Ninguém ligava mais pra ela, fazia uns dois meses.
              Anão e Tomate desapareceram também.Tomate começou a namorar. Anão entrou em depressão.
              Paulão dava desculpas para não sair com ela.

                - Vou à casa do Anão.
                - Anão tá mal hoje, Lu, tenho que ir lá.
                - Hoje não dá amor, preciso ir na casa do Anão.

                - Chamei a Flavinha pra ir com a gente ao cinema, tanto tempo que não vejo a...
                - Não pô, cinema é uma coisa só de dois....
                - Outro dia você levou o Anão.
                - Pô, o Anão tava mal.
                - A Flavinha vai.

                No aniversário dele, todas as ex namoradas dele resolveram ir. Ele não ria, ele mal mexia a cabeça e mal com conseguia tocá-la. Anão fez questão de levar o bolo , estava feliz da vida, saindo com uma portuguesa que resolveu apresentar a todos. Claro, ela tinha sido Miss Setúbal. A inveja que viu nos olhos de Paulo não foi impressão.

                No aniversário dela não foi quase ninguém. Ela o culpou, mas não disse nada a ele.

                 O Natal ele resolveu passar com a mãe em Caracas.
                 Combinaram de passar o ano novo juntos, mas ele "perdeu o avião".

                 Foi o melhor ano novo da vida dela junto com as amigas e o Marcinho, que agora era DJ.
                 Ele nunca abençoou tanto o fato de ter esquecido de colocar o despertador. Perdeu a hora. Ato falho. Passou num restaurante italiano. Bebeu muito. Fumou muito. Fodeu muito.

                Ainda se falaram algum tempo pelo Facebook, inbox.
                Hoje, ela não responde mais. E ele acha bom. Não queria ele tomar a iniciativa de não responder.

                Eles e seus amigos foram felizes para sempre.





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SEXO





- Só os chatos, tristes e infelizes deveriam morrer.

- Quando cheguei na praia não tinha mais sol. Não tem mais sol. Ó.

- Gostou da frase? Estou postando no Facebook.

- Porque o sotaque americano quando você falou Facebook?

- Fico sexy quando eu falo assim. Reparei na reação das pessoas.

- Fica.

- Fico?

- Muito. Fala de novo.

- Facebook. Westinghouse.

- Nossa, nessa você quase me fez gozar.

- Tinha que estragar tudo.

- O que eu fiz?

- Sexo. Só pensa nisso.

- Mas não foi você que disse que ficava sexy?

- Falo de beleza, charme... não apela.

- Você apelou primeiro.

- EDUARDO!

...

- Sujou tudo de areia... sai daí!


E eles se amaram loucamente no tapete da Tok&Stok.




ANGÚSTIA




- Amor, você preferiria ser professor de Física ou Matemática?

- Eu sou professor de...

- SE você não tivesse sido demitido, SE você gostasse do contato com o público, SE você fosse das exatas, você preferiria o quê? Formulei bem agora, ô enjoado.

- Já passei o pano na casa. Acho que vou caminhar na praia.

- Dá pra responder?

- É tão importante assim?

- Dá pra responder amor?

- Você não me ama.

- Você e a sua melancolia.

- Não esqueceu isso daí?

- Você É a melancolia.

- Quero ver o sol.

- ... a depressão...

- Vai que me interesso por alguém solar.

- ... a angústia...

- Física.

- Porque?

- Ainda tenho que dizer por que?

- Lógico.

- Você me ama?

- Vai andar na praia, ver gente. Quem sabe você não se interessa por alguém?

- Porque é mais dinâmico. Matemática parece sem sentido. Um amontoado de números, letras, claro que servem pra alguma coisa, inclusive pra Física, mas na Física temos exemplos práticos,existem até filmes como aquele do Físico esquizofrênico. Física, com certeza.

Eles se olham.

Nada mais a dizer.