segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
O FOGO DE SANTA MARIA
Aí o Cazuza apareceu na Tv.
Logo depois do Fogo de Santa Maria.
Fogo de Santa Maria : Sinônimo para Holocausto.
Os judeus morreram no Fogo de Santa Maria.
As crianças da Candelária morreram no Fogo de Santa Maria.
Cazuza viveu seu próprio fogo.
Heath Ledger viveu seu próprio fogo.
Eles caminharam obstinados para seu fogo.
Eles acenderam o sinalizador na sua existência.
E pagaram o preço .
Mas os meninos não. Nem os judeus. Nem os os índios.
Foram pegos de surpresa pelo Fogo de Santa Maria.
Dançavam e cantavam suas vidas sem se arriscar com os sinalizadores do risco.
Não contavam com aquela espuma.
Com a pequena porta de saída.
Com as comandas não pagas.
E eles sempre pagavam suas comandas.
Oscar Wilde viveu seu próprio fogo.
Marilyn viveu seu próprio fogo.
Não deram conta.
A gente acende a parada e logo um elemental olha pra gente. Elemental da pirotecnia.
Mas os meninos não.
Eles não eram pirotécnicos.
Foram tomar um banho, e quando entraram, foram para a câmara de gás.
Nada entenderam.
Não tinham sinalizadores nos bolsos.
Só esperança. Sonhos. Paixões. Amores.
Nada demais.
Não queriam ser estrelas.
Não queriam estar no Jornal Nacional.
Não queriam ser amados por presidentes.
Queriam beijar.
O beijo despretensioso da noite de sábado.
Estavam em bando.
Mas estavam absolutamente sós na partida.
Em meio à fumaça negra da impunidade.
Volatizaram em desespero.
Sós.
Blitz tocando na TV.
Interruptor apagando a luz.
Me deito, também só.
Elemental da solidão entristecida.
Em expectativa , em suspenso.
Em suspenso... até um novo dia nascer feliz.
http://www.youtube.com/watch?v=ParSaEqtPVw
domingo, 27 de janeiro de 2013
KISS
- Tô bonita , Dani?
- Gata!
- Tu também!
- Vamos?
- Só se for agora.
- Não chega tarde hein filha?
- Eu nunca chego.
- Ela vai chegar sim...às cinco!
- Para de brincadeira, já falei que o horário pra chegar é às três.
- Se você me desse a chave...
- Outro dia a gente conversa sobre isso. Toca a campainha quando chegar e espera. Tô com dor de cabeça, pode ser que eu demore pra acordar. Não grita nem bate forte na porta. Olha os vizinhos.
- Vamos Carol, não quero pegar fila na porta.
- Barbaridade, Carol, é muita gente!
- Muito gato.
- Já beijei o Saulo.
- Mentira.
- É sim, mas vou beijar hoje.
- Me dá a grana que eu passo tudo no meu cartão.
- A entrada é em dinheiro, Dani.
- Paga pra mim então? Lá dentro eu pago o refri.
- Mas não some lá dentro.
- Que máximo esses caras!
- Precisa ver na hora que eles soltarem fogos.
- Fogos?
- É. Eu vi no Youtube, tem sinalizador e tudo.
- Aqui dentro?
- Porque não?
- Pode?
- Bah, guria, pode sim!
- Achei fraco o show. Não teve nada demais.
- Não beijei o Saulo. De novo. Pegou a troncha da Lia. Ridículo, a boate se chama Kiss e eu não beijei ninguém
- Dorme lá em casa hoje?
- Tá. Eu te ajudo a acordar todos os vizinhos.
- Mas porque não teve os fogos?
- Não te falei?
NÃO PODE.
Carol tocou a campainha. A mãe estava acordada na sala. Deu um abraço demorado em Carol , que não entendeu nada. Beijou também Dani. Em lágrimas (ela também não entendia o porquê), agradeceu em silêncio a Deus por elas estarem bem.
E foi dormir em paz.
Assim que deveria ter sido.
Crianças lindas de Santa Maria, durmam em paz, sossegadas. Deixem que a gente resolve o problema e faz justiça por vocês.
https://www.youtube.com/watch?v=HR8Fz3sC9Bk
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
GLORIA MENEZES
Ele brigou, teve vontade de espancar, de matar aquela criatura. Como assim? Não gosta de mim??? Que ousadia. Amaldiçoou céus e terra. Pegou o elevador. Chegou à portaria, viu um gato. Branco. Se esfregando no banquinho do lado esquerdo da comigo-ninguém-pode. Veio a brisa.
O outro saiu do velório. Lembrou de cada momento com aquela pessoa. Chorou. Os olhos inundados o fizeram desorientar-se. Esquerda? Direita? Para onde fica a saída. E aquela gente toda chorando. Dez capelas uma ligada a outra. Frases desconexas no corredor. Uma menina perdida, vestido rosa, maria-chiquinha. Sorriu pra ele. Fez uma careta gostosa. Uma coisa doce a envolveu. Ela. A brisa.
Clara no meio da prova de matemática surtou. Pegou a prova e a rasgou em mil pedaços. A professora, atônita, achou que ela fôsse agredi-la tal a fúria da menina. Ela juntou seu material com violência, chutou a carteira, passou pela professora e disse com um sorriso terno: "A culpa é minha, não estudei, mas você é a melhor professora que já tive" . E enquanto a menina saía, uma sensação gostosa de fim de tarde de primavera na praia do Arpoador. Delícia de brisa.
A angústia estava tomando conta dele. Eu não sirvo pra nada. Quero ter minha casa. Foi por isso que ela não me quis. Ou porque estou gordo. Essa janela gradeada parece uma prisão. Um vazio imenso no peito esperando que ela ligue. Ele queria tomar uma dose dupla do seu antidepressivo e dormir pra acabar com aquilo. Liga a Tv. Gloria Menezes entra em cena cantando , encantadora, deslizando leve em anos de trabalho. Violeta é o personagem. Meio louca, meio sonsa. Linda em seus 79 anos. Respirou fundo, e sentiu a brisa dentro dele. A imagem daquela mulher misteriosamente o preencheu.
"Se ela pode, eu posso".
http://www.youtube.com/watch?v=CLOqNeCps20
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
O DIA ESTÁ CHORANDO
Ela escreveu no seu diário a ultima página sobre ele.
Ficou pensando se iria arrancar, não podia ser descoberta. Eram páginas comprometedoras.
...
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Colou uma florzinha que recortou de uma revistinha em quadrinhos. Da Mônica.
Depois coloriu as palavras "ele".
Fez um coração em todas as letras i's, como sempre fazia desde os onze anos.
Sublinhou em vermelho as duas palavras diferentes que aprendeu:
"renúncia" e "desapego".
Foi à janela e começou a contar os repetidos pingos de chuva no vidro limpinho.
Por mais que contasse, não conseguia chegar ao final.
Sorriu com a tentativa vã de contar.
Cansou e foi ao espelho.
...
...
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"Sou bonita", pensou.
Olhou para os seios que começavam tomar uma forma definida e a ficarem belos. Admirou sua magreza e sua brancura.
"Sou bem bonita". E sorriu por conseguir pensar nisso.
Dezoito anos, ele.
E no carro vermelho ele chorou porque ela quis se despedir.
O perfil dele e a lágrima que caiu em silêncio virou um rio de tristeza na alma.
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Tão jovem, ela.
Tão apaixonada. Ele foi o primeiro. O primeiro de todos.
Sorriu pensando naquele dia. Quando ela se entregou logo depois que disse:
"Assim, só casando".
Sorriu, porque sabia que ela já estava casada.
Sorriu agora porque sabia que era tudo mentira. Mas que era tudo verdade também.
Sorriu ao constatar que seus dentes eram lindos.
Lindos.
E os dele também.
Na foto que ela tinha dele, ele era o único que tinha os olhos brilhantes. Todos com olhares divertidos, mas opacos. Ele, com olhar triste e brilhante.
Ele a amou.
Ele, para ela , era ELE. Ela, para ele, era ela.
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O cavalheiro do carro vermelho quis ser gentil. Quis ser seu príncipe.
Mas ela queria a serenata que os livros prometiam.
Queria o beijo roubado.
Queria a surpresa.
Queria ver o mundo com ele.
Ele queria vê-la feliz.
E ela estava.
Porque o seu primeiro foi gentil. Porque o seu primeiro foi um príncipe.
...
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Naquela noite que escreveu no diário ela foi rainha.
Escreveu "renúncia" e "desapego" no diário com dezesseis anos.
Uma menina desfiando o novelo do mundo.
Isso não é bem isso e aquilo pode ser isso também.
Lembrou do choro abraçado a ele na porta da casa e do medo que teve de ser descoberta.
Teve medo que descobrissem seu plano de seduzir um príncipe para que ele fosse o primeiro.
Anita, Lolita,Pepita, Rita... não importa.
Todas naquele momento teriam os olhos marejados como ela.
Quando andou até sua casa sem olhar para trás.
Louca para escrever no diário e contar para ele que aprendeu a usar a palavra "renúncia".
...
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...
"Sabe diário, não é porque ele foi o primeiro, que será obrigado a me amar. Devo deixar ele ir embora. Isso se chama renúncia. Tenho que deixar ir, tenho que respirar fundo e simplesmente deixar ele ir. Parece que isso se chama desapego. Ele estava lindo de camisa branca. Ele é lindo de qualquer jeito. E eu deixei ele ir. Acho que estou virando adulta". Não, ela não ia destruir seu diário assim. Seria seu único jeito de jamais esquecer daquela sensação revolucionária.
...
...
...
A menina pegou a boneca de pano dela, arrumou junto aos ursinhos, colocou na prateleira mais alta do armário. Pegou um livro, "O diário de Anne Frank" e começou a ler.
Mas adormeceu na segunda página.
https://www.youtube.com/watch?v=tv7S8v3rM-U
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
CERTEZA
E assim escreveu Francisco, depois que viu a mulher partir em seu carro vermelho:
"Da ultima vez que eu te vi, você estava sorrindo. E antes de sorrir, você me abraçou. Antes de me abraçar, a gente trepou , transou, fez amor, a gente se possuiu, você estava em êxtase. E eu... meu Deus! E Deus, que é o Deus também que faz a gente sentir prazer, estava ali com tanta intensidade...
Antes da gente deitar você riu de mim. E antes de rir de mim a gente falou sobre tudo e sobre nada. Falamos, falamos. Você viu fotos da minha vida. Você me olhou com um amor tão intenso, tão profundo que foi difícil de acreditar. "É pra mim?" Pensei. Desconversei e continuei a ouvir tua voz tão doce.
Antes da gente conversar no meu quarto eu te esperei. E quando você chegou à minha porta, estacionando o seu carro vermelho eu tive que me controlar pra não correr e te beijar ali na rua. Jamais poderia permitir uma ação tão feminina. Jamais você poderia ver meu lado tão menina. Você, a mulher proibida.
E antes eu achei que você tinha desaparecido. Já estava te procurando nas estrelas. No primeiro raio de sol, nos toques aleatórios do celular. Na forma das nuvens. Nos beijos dos amigos. No colo da mãe. Você tinha se dissolvido no Amor.
Antes de você desaparecer eu achei que tinha te perdido. Com meu jeito rude. Com minhas palavras duras que te assustaram e te acordaram. A gente estava vivendo um sonho. Perfeito. Dois dias de amor. Dois dias de carinho. Dois dias de afeto. Dois dias que pareceram duzentos anos. Jamais acreditei nessa baboseira de reencarnação. Mas eu te conhecia. Tenho certeza que te conhecia.
Depois que seu carro vermelho sumiu no pó da estrada de paralelepípedos resolvi te esperar.
Esperei com descrença.
Esperei com certeza.
Esperei sabendo que vão se passar dias, meses, anos , mas você vai voltar.
Eu te espero no portão.
E foda-se se eu vou parecer menina quando eu te abraçar.
Foda-se se você vai se assustar quando eu tirar a tua roupa ali mesmo , no meio das flores do campo do jardim.
Foda-se se eu vou querer foder ali mesmo.
É porque essa palavra com você é mágica. Essa coisa com você é sagrada.
Porque é de verdade. Porque sou EU e VOCÊ.
Porque é REAL.
Decidi te esperar.
Simplesmente decidi.
Porque sei que você vai chegar, e daqui não vai mais sair.
Benvinda ao mundo perfeito do jardim de flor do campo, de fotos espalhadas pela sala, de lençois brancos , de café na cama, de brisa na varanda.
E de breves "adeuses".
Eu te amo."
http://www.youtube.com/watch?v=qd_xWGXKqS8
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
SOBRE SEREIAS
Vicente enjoava nessas grandes distâncias. Preferia as viagens de uma semana, no máximo oito dias. Mas já fazia um mês que ele estava em mar aberto e nada ,nenhum sinal de terra firme.
Viu a imagem do pai em seu camarote. Nítidamente. Como se ele tivesse voltado dos mortos, com trinta anos de idade , sorrindo. Belo em seu uniforme de comandante.
A inapetência era exagerada. Não conseguia comer um amendoim. Sonhava com banquetes, mas quando a comida era servida no Navio Mercante, por mais apetitosa que fôsse não conseguia tirar o gosto de bílis da garganta.
Sede. Muita sede. Por mais que bebesse a água velha do Navio Mercante, mais sede sentia. A Água era fresca, mas velha.
Estava enjoado. E nada de terra firme.
Descia para seu camarote depois de algumas horas de desesperança, vendo o horizonte, quando avistou de relance, terra firme.
E aquela música.
Voz de mulher. Uma bela voz de soprano. Música desconhecida e melancólica.
Ora longe, ora perto.
Ela sorriu para ele. Seus dentes eram tão brancos que iluminavam o mar inteiro.
Os olhos brilhavam e o desejavam.
Sua pele era tão branca... Seus lábios tão convidativos e carnudos...
E os seios...fartos... imensos...lindos.
Aquela mulher nua que conseguia cantar apesar do nado apressado acompanhando o navio o enlouqueceu.
Em segundos ele pulou no mar e a seguiu.
Perseguiu seu nado apressado e via em seu olhar o eco da palavra : "Vem".
Ele foi.
Mas... e sua pernas?
Não tinha pernas e sim uma bela barbatana translúcida e azulada , que deslizava em sutil velocidade em direção à terra firme.
"Vem".
Ele nadava rápido também, sorria, apesar do esforço.
E ela cantava. dançava linda no fundo mar em direção ao continente.
Ele possuiria a mulher-peixe e viveriam em terra firme.
Construiriam uma bela casa. Teriam filhos. Belos meninos e meninas peixes vivendo em vida dupla, dançando como ele e cantando como ela.
Como ela era bela, seus cabelos negros se confundiam com as algas mais escuras do mar.
Logo, a praia.
Ele , com sua destreza ao andar na areia. Não andava, quase saltitava.
Ela chegou na areia.
Ele estava tão feliz com a chegada ao destino que não viu que ela agonizava.
Seu olhar dizia: "Você me enganou"
Ela seguiu o jovem mancebo que a observara da balaustrada. O belo rapaz que a ensinaria a viver na terra dos que andam pesado , com duas pernas.
Na Lenda das criaturas do mar, a mulher peixe criaria pernas assim que chegasse a uma praia branca e reluzente como aquela.
E ela viu no olhar feliz do belo moreno que a observara o eco da palavra: "Vem".
E ela foi. Acompanhou o bípede marítimo que deslizava a seu lado num sorriso abrasador.
E quando chegaram à terra ele sorria enquanto seus olhos se fechavam pela última vez, num último suspiro.
Vicente enterrou a mulher peixe e a agradeceu por tê-lo ensinado a voltar à terra firme.
Nunca mais a tripulação viu aquele louco que sem ter porquê, se atirou ao mar bravio.
Há quem diga que foi uma sereia que o atraiu para o mar.
Há quem diga que Vicente nunca existiu.
Há quem diga coisas bem tolas.
"Você é mais do que sei, é mais que pensei, é mais que esperava baby, você é algo assim, é tudo pra mim, é como eu sonhava, baby, sou feliz agora, não não vá, embora não"
Falando de sereias...
STATUS QUO
É tão reconfortante quando a gente se acha tão estranho , mas tão estranho que nada , mas absolutamente nada das opiniões do "status quo", batem com as suas, mas daí você está caminhando pela calçada, distraído e nem sempre necessariamente assobiando, quando PAH!
Alguém pensa como você.
O que fazer quando alguém pensa exatamente como você quando você já tinha se acostumado a ser "avis rara"?
PAH!
Canta-se "Alma Gêmea" do Fábio Júnior. Com alguma desconfiança, claro. Deve ter alguma coisa que não bate.
Vamos testar.
Cor preferida: Azul. Opa, a minha.
Quem levaria pra uma ilha deserta? O amor da minha vida (minha mãe ia odiar ficar sozinha comigo numa ilha deserta, fora que lá não ia ter os 367 travesseiros com os quais ela dorme nem os potes de sorvete que ela devora no jantar). Responde a mesma coisa. E faz uma observação bem parecida com a mãe.
Meu... Deus.
Filmes preferidos? Comédias românticas, dramas pessoais, biografias. Ai,ai,ai... Bebida preferida? Ídolo? Cantor? Cantora? Música?
Tudo muito parecido.
Faço o teste para ver se estou falando comigo mesmo, claro, "A Vida é Sonho" e posso ter esbarrado com um espelho, ou fui clonado, ou então separado do irmão gêmeo na maternidade.
Ri de todas as minhas piadas.
Que chato!
Chato nada. Cansei de voar sozinho sem encontrar alguém com plumagens parecidas e que gostasse tanto de "minhoca a la grega" quanto eu. Cansei. Cansei de ter que me adaptar às opiniões e tentar viver de uma forma que eu ficasse indignado, sorrisse com o sorriso mais amarelo que conseguisse e depois disparasse o ódio em comentários no Facebook ou vociferações num blog.
Cansei de idealizar . Não é bem assim, mas poderá ser. Bem que poderia ser assim, mas é quase assim. Não é assim, mas eu tenho que entender.
Às vezes é bom ouvir o eco da nossa própria voz com pouquíssimas variações.
Às vezes é bom parar de chorar num tango e tentar acompanhar os passos criativos e precisos de um dançarino para começar a improvisar numa bossa-nova, ou numa baladinha de verão onde só a felicidade é possível. Eu danço, você dança a gente se perde um pouquinho mas tem-se a certeza que vamos nos encontrar mais adiante porque é natural que a gente vá para o mesmo lugar. Que bom.
Que bom fazer pouco esforço para se fazer entender. Que bom não mascarar a opinião para se parecer mais moderno ou menos preconceituoso, ou mais compreensivo, ou mais maduro.
É bom poder falar quem a gente é.
E foi assim, entre perguntas e respostas, que as horas se passaram.
Bossa-Nova no ar.
Brilho no olhar.
Algumas dúvidas. Mas pouco medo. Pouco sobressalto, aleluia!
Barulho de mar.
Brisa. Reconhecimento. A auto estima ali, no lugar. Não quero que você vá embora, não pra não me perder, e nem te perder, mas simplesmente pelo momento.
Porque o momento, assim, é bom.
Calmaria.
E, de repente, o "status quo" se transforma no que eu penso, no que eu acho, no que eu preciso, no que eu quero, no que me basta.
EGO! O mundo gira em torno de mim. Sim. E para o meu bem.
Fui ao castelo e resgatei o meu EGO.
O Status Quo sou eu.
http://www.youtube.com/watch?v=PbL9vr4Q2LU
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