segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

..EU ME RENDO...GOSTO TANTO DA MADRUGADA...


Conversando com meu terapeuta (quando é que o analista virou terapeuta? perdi esse bonde. parece que agora não se fala análise de jeito nenhum), mas conversando com meu terapeuta (com quem me disperso tanto emendando um assunto no outro que o enlouqueço. Ele se diverte , mas às vezes acho que ele se irrita).
Então, conversando com ele, me queixei de que estava me sentindo exausto. Que não dormia mais à noite, que só conseguia sentir sono pela manhã e já com o sol alto, mesmo as persianas não ajudando muito a escurecer o quarto.
Fato: A claridade me adormece.
Como ele me parece um ser diurno e dorminhoco , se preocupa com a situação e vê minha agonia. Claro, se eu demontrasse felicidade ele soltaria fogos comigo e aprovaria minha boemia.
Bem, ele disse: Durma na escuridão e acorde com a Luz.
Parece óbvio , mas não é.
Muitas vezes a madrugada representa pra mim um buraco negro, onde, não tendo nada para pensar, acabo me perdendo em culpas, decepções, ódios e medos. E o pior: A falta.
Realmente não é bom deprimir-se de madrugada até porque parece tão fácil dar fim à vida de madrugada. As pessoas se escondem com os gritos, tiros, ninguém sente o gás escapando...(papo mórbido).
Se o SAMU demora horas pra chegar durante o dia, que dirá na madrugada? (o papo continua mórbido).
Matar-me não é o caso.
Quem quer matar-se, mata-se e eu não estari aqui escrevendo sobre isso.
Mas eu gosto tanto da madrugada que agora que estou estabilizado, tranquilo pensando coisas amenas como uma forma menos dolorosa de pagar a conta do celular ou administrar minha fome ancestral para não engordar tudo de novo ou imaginar como seria meu prósximo amor, fico namorando a madrugada, zapeando e vendo furtivamente os excelentes filmes e programas das madrugadas dos dias da semana (os de fins de semana são terríveis). Rascunhando alguma coisa. Começando a ler "O LADRÃO DE RAIOS" que ganhei por engano no amigo oculto (o presente era para uma adolescente mas, o engano serviu para uma excelente leitura, o livro é ótimo), não há hora melhor para ler do que a madrugada. Nem para escrever.
Será que é tão ruim ficar acordado?
HOJE , não estou achando.
Já está amanhecendo, péssima hora para dormir.
O bom é quando o Sol está alto, ligo o ar-condicionado no máximo e , em sonhos, espero a melhor hora do dia chegar: o final da tarde.
Morfeu, dá um tempo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

QUASE FIM DO ANO

Muita coisa aconteceu.
Ou quase nada.
Só vou saber disso quando fizer um inventário de vários anos. Coisa que nunca faço.
Na verdade eu nem sei direito o que eu fiz nos anos. Eu me situo nos anos pelos meus amores e pelos meus trabalhos. Que nunca são muitos.
Muitas são as dores, as decepções, as gargalhadas, as ironias, as saudades.
Trabalho pouco e amo pouco, ou quase nada.
É por isso que fico perdido achando que vivi pouco também.
Viver é o que se sente. Não é?
É o acúmulo de gargalhadas,de beijos, de saudades, de frustrações, de abandonos, de raivas e raivinhas, de estímulos e sensações.
Não é quanto a gente ganha ou quem está na nossa cama.
O que a gente É?
Tudo isso.
Fiz um concurso, fui bem. Sou 7,5.
Fiz um trabalho, não tão bem. Sou 5,0.
Tive umas duas tentativas frustradíssimas de chamar alguém de "meu amor". Nota 4,0.
Média... processando... 5,5? Sim, esse ano fui um 5,5.
Ou fui um 289 gargalhadas, milhares de risadas, 100 litros de lágrimas, 800 mililitros de suspiros, 130 quilômetros dançados, 300 noites maldormidas, 65 noites maravilhosas, dez brochadas (por alto), centenas de ereções, algumas fugas, dez mil tropeços... Como se mede?
Uma gargalhada deveria valer o ano inteiro. Mas não me lembro de nenhuma delas. Nem me lembro precisamente de nenhum choro. Mas sim, as brochadas eu lembro. De cada uma delas. Sempre muito engraçadas, sempre com muito humor. Uma brochada e uma gargalhada, sempre.
Mas quando eu brocho na vida... aí não.
Saio desse ano levando a vontade de bagunçar todo um coreto.
Mudar absolutamente tudo.
Mas é sempre assim... planos de mudanças. Reticências.
Esse Natal vai ser diferente: Sempre o mesmo Peru, sempre a mesma gula desenfreada e parentes. Sempre os parentes entre parênteses.
Reveillon vai ser o melhor de todos: A cor certa, o ritual certo, a festa certa, a frase certa. Mas na primeira dificuldade...esqueci a frase.
E aí, faço o quê?
Perco a esperança?
Não.
Levanto a cabeça e vou em frente.
Quase fim do ano e não penso diferente.
Mas vai ser diferente.
"Pluct-plact-zum!
Pode partir sem problema algum.
Boa Viagem!"