terça-feira, 16 de outubro de 2012

NOS NÓS.



GNT. 22:30h. Sessão de Terapia. Entretenimento para poucos, já que a Tv a cabo brasileira é a mais cara do mundo.
Como se fôssemos suiços, dinamarqueses, monegascos.
Algumas vezes fico assistindo essa série e achando que eu mesmo estou tearapia tão íntimos e universais são os temas abordados.

Outro dia a terapeuta Dora, interpretada pela brilhante Selma Egrei disse uma frase incrível: "Quando a relação não está bem, a parede não cai aos poucos, ela simplesmente colapsa".
Colapsa.
Pode se dizer palavra melhor para descrever o fim de uma relação?
Colapso.

A surpreendente Maria Fernanda Cândido (nunca gostei dela em cena, agora adoro, santo diretor!), sem maquiagem, anti-seduzindo o terapeuta disse:
"A gente resolveu casar".
O terapeuta Theo, enigmaticamente interpretado pelo brilhante ZéCarlos Machado disse:
"Você nunca usou "nós"". "Você está me incluindo?".
E estava.

Quanto cuidado vou ter agora quando eu usar a palavra "nós".

Nós.

Há pouco tempo recebi felicitações: "1 ano de Nós".
E o pronome nunca foi tão contundente ao se parecer com um substantivo.
Que outra palavra posso usar além de Nós para descrever uma relação?

"Eu e ela(e)" pressupõe duas individualidades e separa o interlocutor da história fazendo-o mero observador.
"A gente" junta a todos, inclusive quem não está ouvindo, generaliza a ponto de banalizar o fato. "A gente vai casar" . Como todos o fazem.
"Nós". Além de incluir a terceira pessoa num triângulo íntimo, ainda pressupõe laço apertado. Um amarradio.

Como é bom ser um terapeuta e assistir de camarote a toda essa confusão, mesmo que se esteja envolvido nela. Até porque se o "nó" ficou complicado (o que acontece com ele), basta que se dê um basta na relação profissional. O problema é ser o sujeito. O Protagonista da história. Como é duro ser a Julia, que está num dilema entre a paixão pelo psicoterapeuta e a segurança na relação, o nó amarrado , com um homem que a ama incondicionalmente. Mas Theo, o terapeuta, também  é co-sujeito, na medida que ele (compreensilvelmente) se vê amarrado também nesse nó.

O salto no escuro ou a nau amarrada no(nó) porto?

Nesse último episódio ela se joga numa aventura ainda mais perigosa. Ao ver o colapso da sua relação terapêutica , quando o salto no escuro se revela suicida, ela se joga literalmente nos braços de um homicida em potencial. Um homem sem culpa. Um atirador de elite.

E olha...não ganho NADA para fazer o comercial dessa série.

Um blog é um recurso egoísta de falar de si mesmo (eita redundância!!!!) , mas adoro passear pelos outros pra falar de mim.

Uma amiga, uma escritora maravilhosa que fez breves aparições no meu coração, disse-me certa vez: "Fale em terceira pessoa, fale no ponto de vista do outro, de quem te olha, ou de quem olha o protagonista. As pessoas já estão de saco cheio dessa coisa auto centrada.".

Desde então nunca tive tanta vontade de falar de mim mesmo.

Adoro desfazer nós assim. Detesto estar amarrado a opiniões. Quero ser livre até para fazer o que todo mundo faz. Quero ser livre até para ser careta.

Por falar nisso, outro dia eu falo sobre relações abertas... onde aparentemente não há nós, mas....

Bem, deixa pra outro dia, isso aqui tá enorme.

O céu tá tão azul lá fora... SANTA PRIMAVERA!


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