Fino desceu as escadas, pela primeira vez sozinho e ajeitou a garrafinha de Toddy na merendeira.
O mundo estava ali, ao seu alcance. O mundo era seu mundo. Era seu o mundo.
Amava a escada, a calçada, a árvore. Amava a rua que atravessava, amava o sol, amava o calor. Amava aquela velhinha com dificuldade de atravessar a calçada.
Depois amava a esquina. E o mendigo sentado ali com olhar vago, amava a voz dele que pedia uns centavos. Amava o susto que levou e amava a corrida que deu para fugir do susto.
Fino amava o ônibus que se aproximava. Amava o motorista. Amava o bom dia que deu. Amava a trocadora mau-humorada que passou seu cartão na roleta. Amava a senhora que se ofereceu para segurar sua mochila pesada. Amava o sorriso que a menina alta deu para ele.
Amava a paisagem que passava célere na janela. Amava aquele calor gerado pelas pessoas que se acotovelavam Amava aquele cheiro de suor. Amava.
Amava a escola que se aproximava e amava o senhor que se ofereceu para puxar a cordinha do ônibus.
Amava entrar pela primeira vez , sozinho, no colégio.
Fino era só amor. E aquele momento de amor foi inesquecível, único, indescritível.
Fino está amando em qualquer lugar, ele vai amar onde quer que vá.
O amor o faz continuar.
Fino ama. E está só.
"Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão" (Carlos Drummond de Andrade)
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Clique e veja Paulo José no poema de Drummond que me inspirou esse post.
http://www.youtube.com/watch?v=5uP7Ctcxqhk&feature=related

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