segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DESAVISADO





Nas primeiras horas da manhã (pra mim, é claro) sempre acordo distraído, desarmado. desavisado. Ninguém me avisa nessas horas que preciso focar em mim, que o passado já passou e que agora é hora de olhar pra frente , nessas primeiras horas. Não acordo com um CD de Auto-Ajuda na cabeça. E é nessas horas que acabo pensando nas saudades (todas elas) , na cama vazia, no silêncio, e na necessidade que tudo isso seja urgentemente preenchido. Não penso nessas horas "é preciso dar tempo ao tempo". "Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém".
Acordo com a necessidade de ligar pra minha irmã, por exemplo, incomodando-a na escola. Nesse momento, por exemplo ela estaria ansiando pelas férias e me atenderia cansada e esbaforida, rindo da minha "ousadia" de ligar pra ela no trabalho.
Acordo com a ânsia de receber um torpedo ou uma ligação qualquer falando: "bom dia, amor".
Acordo com a nostalgia de ter 16 anos , estar de férias , colocar a sunga amarela e ir pegar carona na subida do rebouças pra praia.
Acordo com um telefonema do meu pai, depois que eu sonhava com ele a noite toda. Sempre que sonhava com o velho, ele me ligava.
E há quantos anos não sonho com o velho.
Acordo desavisado. Sentindo cheiros, sentindo amores, apertos.
É hora de ir pro banho.
E avisar ao corpo que é daqui pra frente.
Sempre adiante.
Hora de construir novos passados, presentes intensos, futuros emocionantes.
Tá na hora de ir.

Um comentário:

  1. Querido, fiquei nostálgica lendo esse seu post, porque me identifiquei demais da conta. Eu também acordo assim às vezes com ansiedade de me agarrar em algo que parece que foge das minhas mãos. Lindo e emocionante.

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