
Foram tantas...
A barca e a ponte que não precisei mais pegar...
A estrada tarde da noite, na chuva, que não precisei mais ir...
A noite cheia de plânctons e estrelas que não vou ver mais...
Um quixote, na mesinha de cabeceira que ficou lá... ou não está mais lá...
A visão da Avenida Atlântica, calma, à noite, com ruídos de travestis sonolentos que não mais verei...
Os coelhos e patos subindo um morrinho... será que ainda existe aquele morrinho?
Tanajuras num morro fazendo um barulho de helicóptero...
Tantas perdas.
Vocês todos estão lá.
Não morreram.
Todas essas lembranças ficam lá.
E daí fico , nessa manhã chuvosa pensando se realmente perdi.
Ontem fui ver PRECIOUS. Ou PRECIOSA em português.
Um filme que fala sobre perdas, sobre ganhos... é o tal negócio, por onde vemos as coisas?
Pelo lado cheio, ou vazio?
Preciosa perde, perde muito, e ganha , ganha muito.
Ela vence. E ela perde.
Ela perde. E encontra.
Como se pode ter uma visão tão otimista com tanta dor?
Eu me acabei de chorar no cinema.
Foi duro acompanhar a trajetória da heroína.
Mas saí vivo do cinema, vivo para encarar minhas perdas.
E meus encontros.
Não sei em que lado do copo estou.
Mas sei que estou vivo, e preciso, com força, continuar.
Em tudo temos perdas e ganhos.
ResponderExcluirNum primeiro momento, na hora da dor, podemos ver apenas coisas ruins. Mas com tempo percebemos o aprendizado, tudo que podemos levar de bom num momento difícil.
Como vc disse no final, pensamos se "realmente" perdemos... e acho que nem sempre são apenas perdas... pense nisso.
Não deixe de escrever, não deixe de atuar, não deixe de viver. Porque a vida dentro de uma bolha de proteção não vale em nada... as dores existem e sempre existirão, e disso tudo apenas tiramos a experiência para não repetirmos os erros... e a experiência é um ganho...nunca uma perda.
Como diria Os fevers:" tudo na vida passa, tudo no mundo cresce, nada é igual a nada não.."
ResponderExcluirLendo o que escreveu, lembrei da época de escola, e que hj muitas vezes queremos voltar no local onde estudamos, ou até mesmo onde moramos um dia, mas, nunca está como deixamos.. tudo muda o tempo todo.. cruel.
Eu sei que ganhei em ler o seu texto e ver a linda foto...
ResponderExcluirE perdi a preguiça de comentar...
O filme é bem legal mesmo, especialmente quando mostra o recurso dela para lidar com a barra pesada...
O filme é uma lição de vida! Histórias como a da protagonista estão mais perto de nós do que imaginamos... Pode não ter a violência física como a apresentada no filme, mas a violência simbólica imposta pela sociedade, pelos familiares, pelos pseu-amigos, essa sim dói mais que um tapa... Quando nos tiram a possibilidade de sonhar, de acreditar que somos capazes de qualquer coisa, que podemos superar qualquer dificuldade... Mas "nós podemos tudo, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será..."
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