segunda-feira, 9 de março de 2015

AINDA JOÃO E MARIA.

João andava cabisbaixo pela rua de baixo.
 Assobiava desafinado, o malfadado.
Tropeçava, mugia, desviava, fugia.
João era mesmo um desgraçado. O sol era quente demais. A lua... solitária. Nuvens formavam monstros. Montanhas, intransponíveis, as insensíveis. Maria veio do outro lado, com um sutil rebolado. Cantava histórias, contava fados. Mesmo sem um puto no bolso a danada tinha gingado.
Maria esbarrou em João. João se esgueirou em Maria. Quase não via a delícia de Maria que ...ia. Ela cumprimentou, ele de lado, sorriu, quase chorou. De mãos dadas prosseguiram os dois. Ele a esperar rebolados, ela a esperar desventuras.
Ele a desfiar solidões.
Ela a cantarolar partituras.
Ele, chorava, esperava que Maria de alegria o brindasse.
 Ela sorria ajudava o coitado, se ao menos ele cantasse... Uma dor foi lhe invadindo o peito.
 Uma angústia, um infarto.
Soltou a mão de João num escorregar de lagarto.
João nem viu Maria sumir, tão afogado em lágrimas estava. Será que ela ficou brava?
João passou a procurar na rua de cima. E nada, nada de Maria.
Estaria ela pros lados de Hiroshima?
Maria estava ali, do outro lado da rua, pois mesmo na rua de baixo, Maria não passava recibo, e João não via nada mais que sua própria dor.
Não haveria mesmo de perceber o amor.
Aliás quem cismou de rimar amor com dor?

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