
"Se tive problemas nessa vida, não foi por falta de felicidade"
E o sorriso de Lilia Cabral, a Mercedes do filme, inunda a tela no final.
Martha Medeiros, a autora da peça, não minimiza os problemas. Ela os engrandece, ela os abrilhanta. Para que servem os problemas senão para enriquecer os nossos roteiros?
E vamos sendo assim, ricos na vida. Vendo Mercedes se conhecendo, a gente vai se reconhecendo. Na verdade, a gente só se reconhece se já passou dos trinta, ainda não dá pra saber que uma traiçãozinha do marido não vai acabar com o casamento, ainda não dá pra saber que a gente não sofre só quando se perde o amor e que tem coisas mais divertidas que amar. Mais do que isso. O amor não tem a menor importância quando a gente descobre que se perdeu da gente mesmo.
O trunfo do filme é o texto em que foi baseado, além da indescritível atuação de Lília Cabral e a sinceridade de Alexandra Richter, que faz a melhor amiga. As duas batem um bolão. Aliás, quem não melhora com Lilia Cabral do lado? Basta ver na novela Viver a Vida, quem contracena com ela acaba ficando no mínimo bom. Ainda vamos nos encontrar no palco, com certeza. E... hã... bem...
Eu, que sempre escrevo muito, estou bastante sem palavras.
Pra que falar, quando a gente pode pensar, arrumar o travesseiro, ligar o ar condicionado, apagar a luz e dormir... amando muito quem a gente se tornou , abraçando muito, acarinhando, porque se foi comigo que eu cheguei nesse mundo cheio de vontade de viver, é comigo que eu vou me bastar.
E o que vier será lucro.
E eu sou beeem capitalista.
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